ISLAME IRANIANO I

HENRY CORBINNO ISLÃ IRANIANO

O xiismo constitui fundamentalmente e de pleno direito o esoterismo ou o sentido interior da religião islâmica; este esoterismo ou este sentido interior é inicialmente e integralmente o ensinamento ao qual os Imãs iniciaram seus discípulos e aquele que estes últimos transmitiram (…). A ideia destes testemunhos que, mesmo completamente ignorados da massa dos homens, de geração em geração, “respondem por” Deus neste mundo, comporta a ideia de uma comunidade espiritual cuja hierarquia é fundada, não sobre as prerrogativas de uma ordem social exterior, mas unicamente sobre as qualificações do ser interior. Assim escapa ela a toda materialização e a toda socialização. Os “Califas de Deus” sobre a Terra, de que fala o primeiro Imã, foram em primeiro lugar os onze Imãs, seus sucessores, e ainda mais longe, todos aqueles cuja sucessão invisível mantém a pura hierarquia ao redor daquele que dela é o “polo” místico, o “Imã oculto”, até o fim de nosso Aion; sem eles, a humanidade, saiba ela ou não, não poderia continuar a subsistir. E é finalmente que se decidem o sentido e o desafio do combate espiritual do xiismo».

O xiismo nasce a partir de uma questão essencial, posta em razão do drama mesma do fechamento da mensagem profética. Do momento que o último dos Profetas está morto e que o Selo da profecia está fechado, e como também a humanidade não pode permanecer viva sem um Fiador de Deus, qual será a situação do crente? Por outra parte, se a significação do Livro Santo não se reduz a seu sentido literal, quem vai garantir presentemente a compreensão? É preciso que posteriormente ao profeta, haja um «Mantenedor do Livro» (Qayyim bil-Kitab), alguém que possa nos iniciar em seu sentido interior. Eis porque o xiismo professa que ao ciclo da profecia sucedeu o «ciclo da walayat». Assim a mensagem se interioriza e se transmite pela via dos Imãs, e isto até nossos dias.

Volume I

Livro I – Aspectos do xiismo “duodécimo”