PRIMEIRA PENETRAÇÃO

HCLPM

Onde se explica que o ser não precisa de notificação

A realidade positiva do ser — sua heccéidade — é a mais evidente das coisas, sendo uma presença e uma descoberta imediata, ao passo que sua quididade é a mais obscura quando se trata de representá-la e aprofundá-la.

Não é possível notificar o ser porque a notificação se faz por uma definição ou por uma descrição, e o ser não admite nenhuma das duas.

Quem pretende notificar o ser engana-se, pois só conseguirá fazê-lo por meio de algo mais obscuro — ainda que seja possível despertar o ouvinte e provocar nele uma reminiscência, sem que isso equivalha a uma notificação verbal.

Representar uma coisa em geral significa que seu conceito é atualizado na alma conforme o que existe in concreto, o que vale para os conceitos e quididades universais distintos do ser, os quais existem ora de uma existência concreta, ora de uma existência mental à maneira de sombra.

Toda realidade em ato de ser comporta um único modo de atualização, e o ato de ser — o existir — não comporta existência mental ou lógica (wojud dhihni).

O ser é em si mesmo algo simples, individualizado por si mesmo, sem gênero nem diferença, não sendo nem gênero nem diferença nem espécie nem acidente geral nem propriedade.

Ocorre, certamente, que essas coisas sejam adjuntas ao ser em função dos conceitos e das quididades universais que são atualizados e existem por ele, pois todo ato de ser, toda existência, exceto a Existência primeira e simples — que é a Luz das Luzes — implica uma quididade universal contingente que é o objeto dessas qualificações enquanto atualizada no pensamento.