POURAFZAL, Haleh; MONTGOMERY, Roger. The spiritual wisdom of Hafez: teachings of the philosopher of love. Rochester (Vt.): Inner traditions, 1998.
O retorno à taberna de Shiraz evoca a memória do início da jornada — quando se era um rend aspirante, inocente, e se ouvia do poeta a resposta sobre o segredo da iluminação: “Foco”.
Antes de percorrer passo a passo o rendi e assistir à expansão da mente na escola da alquimia
Antes de compreender que a mente reunida era a essência agregada do ser nos mundos material e espiritual
Antes de render-se à competência do mistério da vida e seu domínio sagrado
“No caminho do amor há um tesouro que ninguém jamais desenterrou, mas as especulações da mente sobre seu valor são um desperdício”
O poeta, de volta à taberna, recita em voz alta o poema que acabou de escrever — Servo do Solo — como uma oração, em voz clara, forte e profunda.
“Estou feliz e em voz altíssima digo: busco o Vento do Oeste da verdade na taça de vinho hoje”
Reconhece seus companheiros rends como camaradas valorizados: “Enquanto o hipócrita carrancudo ali se definha, com bebedores de borra de rosto aberto escolho ficar”
A presença do Ancião é profundamente apreciada: “Se o Ancião não abrir minha porta da taberna, aonde posso ir, pelo conselho de quem rezarei?”
“Não repreendas meu espírito rend neste mundo; como fui moldado, dessa forma é minha argila”
“Não veja a casa de oração do dervixe nem a taberna como caminho; Deus caminha como companheiro onde quer que eu vague”
“O pó do rendi é o elixir da alegria; sirvo o solo desse caminho doce como âmbar”
“Na alegria de ver a prímula tão alta, à beira do rio com a taça fico no balanço da tulipa”
“Minha história é loucura desde que os cachos da amada me jogaram como bola para o taco de polo dela”
“Traz vinho e reza por Hafez: Se o coração guarda as migalhas sobradas dos hipócritas, por favor, varre”
A cena inteira foi a escola de alquimia das vinte etapas do rendi — os poemas e a orientação de Hafez chegaram ao obedecimento do comando original: “Foco”.
A visão onírica da cena fez parte da própria memória reunida
A paz e a alegria que essa compreensão traz se instalam ao fechar os olhos e respirar fundo
Os olhos interiores se abrem — ouve-se e lê-se em um único ato
PAZ DO DESESPERO
O poema Paz do Desespero apresenta o vendedor de vinho que responde ao anseio angustiado dos rends, enquanto o Criador absolve os pecados e põe o mal em fuga.
“Como o vendedor de vinho responde ao aflito anseio dos rends, o Criador absolve os pecados e põe o mal em fuga”
“Copeiro, derrama vinho no cálice da justiça, antes que o zelo do mendigo aflija o terror do mundo”
“A boa notícia da paz pode emergir deste desespero se o buscador do rendi traz a verdade à noite”
“Ó sábio, se o conforto ou a dor passarem pelo teu caminho, não credites às estrelas — apenas Deus nos concede a luz”
“Numa fábrica desprovida de lógica e sentido, não criará a ilusão uma fantasia brilhante?”
“Músico, toca agora 'ninguém morre antes da hora'; aqueles que não harmonizam devem então lutar com o destino”
“Para mim, esgotado pelo amor e pela ressaca pesada, apenas a união ou o vinho puro podem curar esse flagelo”
“Alma se dissolvendo no vinho, Hafez ardendo no amor, onde está o Espírito de Cristo com sua força vivificante?”