IMAGINAL

Addas, Claude. Ibn 'Arabî ou La quête du Soufre Rouge. Paris: Gallimard, 1989

Durante a oração, ao ouvir o versículo “Ó Meus servos! Minha Terra é vasta, adorai-Me!” (Alcorão 29:56), Ibn Arabi foi arrebatado de si mesmo e soltou um grito tal que todos os presentes desmaiaram — episódio único em toda a sua trajetória espiritual, segundo ele próprio revelou ao discípulo Ibn Sawdakîn.

A noção de “mundo imaginal” não é exclusiva de Ibn Arabi — está igualmente presente na gnose xiita — e foi objeto de estudos eruditos de Henri Corbin, que contribuíram inegavelmente para difundir o pensamento de Ibn Arabi na Europa, embora com limites importantes.

A servidão

No capítulo 351 das Futûhât, Ibn Arabi declara que ninguém assume plenamente a servidão a não ser que permaneça na “vasta Terra de Deus”, que contém o eterno e o contingente, e revela ter começado a adorar a Deus nessa Terra em 590/1193 — indicação que ainda estendia ao momento em que escrevia, em 635/1237.

A visão suprema

Seria tentador concluir, seguindo Corbin, que o “mundo imaginal” oferece ao homem o mais alto grau de contemplação do Ser divino — mas Ibn Arabi não exclui a possibilidade de teofanias informais que revelam a Essência divina em Sua Simplicidade absoluta, além de toda forma e de toda imagem.

A “servidão” plenamente assumida, que introduz o santo na “vasta Terra de Deus”, não é para Ibn Arabi um desvio inútil, mas o único caminho que pode conduzir o homem à “noite” de seu ser, onde contempla o Uno sem segundo.

A viagem de Ibn Arabi a Túnis inaugurou um novo capítulo de sua odisseia — o da siyâha, longa “errância” pelo mundo muçulmano que duraria cerca de trinta anos —, marcado por uma visão que o revelou sua destinação e a de seus futuros discípulos.