MGAM
II — SIMBOLISMO E SIGNIFICAÇÃO DA ARVORE UNIVERSAL
1. SEU SIMBOLISMO EM RELAÇÃO AO IMPERATIVO DIVINO “SÊ!” (KUN) E ÀS DUAS LETRAS K E N QUE O COMPÕEM
O Universo (kawn) e o ato que o determina a ser (takwin), a realidade preciosamente oculta (maknun) e seus efeitos nos graus cósmicos (tadwin) se revelam ao olhar interior como uma árvore (shajara), cuja raiz originária de sua luz é engendrada da semente amorosa (habba) do Imperativo divino “Sê!” (kun).
A letra K — uma das duas consoantes que compõem o verbo “ser” no modo imperativo KUN — é símbolo da função universal (kawniyya) e é fecundada pela virtude da semente dessa palavra divina: “Fomos Nós que vos criamos” (Corão LVI, 57).
Essa semente assim propagada produziu um fruto por simbiose segundo esta palavra: “Em verdade, fomos Nós que criamos toda coisa segundo uma norma determinada” (Corão LIV, 49).
Dois ramos distintos apareceram de sua raiz única: esse processo pertence à Vontade divina (irada), ao passo que a produção do ramo é própria de Seu Poder determinante (qudra).
Da substância mesma do K, dois princípios opostos se manifestaram: o K símbolo da Perfeição infinita (kamaliyya) em relação com esta palavra — “Hoje, completei vossa Religião para vós” (Corão V, 3) — e o K símbolo da Infidelidade (kufriyya) segundo esta outra palavra: “É assim que entre eles se encontram os que são fiéis e entre eles os que são infiéis” (Corão II, 253).
A substância do N — a outra consoante que compõe o verbo “ser” no imperativo KUN “Sê!” — simboliza o desconhecimento ou indeterminação (nakira) e o conhecimento ou determinação (ma'rifa).
Quando Deus fez sair os seres do não-ser em virtude do estatuto implicado na Primordialidade (qidam), inundou-os de Sua luz, e aquele que essa luz alcança assimila o simbolismo dessa Arvore do Universo produzida da semente amorosa do “Sê!”.
Ele vê brilhar no segredo do K a significação desta palavra: “Vós sois a melhor Comunidade” (Corão III, 110).
Dele resulta a evidência do princípio inteligível contido no N desse Imperativo divino KUN segundo esta palavra: “Aquele cujo peito Deus dilatou para se submeter, não está ele segundo uma luz (nur) emanando de seu Senhor?” (Corão XXXIX, 22).
Aquele que essa luz não alcança busca descobrir a significação implicada no Imperativo KUN, mas se engana sobre a significação verdadeira contida nas duas consoantes que o compõem, ficando assim frustrado em sua expectativa, considerando o K em relação com a infidelidade e o N com o desconhecimento, tornando-se assim um dos infiéis.
O destino reservado a cada criatura em relação com a palavra KUN consiste em conhecer a soletração de suas duas consoantes e os segredos que ela implica, conforme este hadith do Enviado de Deus — sobre ele a Graça e a Paz: “Em verdade, Deus determinou Suas criaturas numa treva e as inundou em seguida de Sua luz. Aquele que essa luz alcança é bem guiado e aquele que essa luz não alcança é desgarrado e seduzido.”
2. SIMBOLISMO DAS LETRAS K E N EM RELAÇÃO COM ADÃO E IBLIS
Considerando a esfera da Existência universal (da'irat al-wujud), Adão descobriu que todos os seres existentes giravam na esfera do Universo, alguns sendo constituídos de fogo e outros de limo fino, e constatou que essa esfera existia em função dos segredos contidos no KUN, dentro da qual o ser se move e procissiona sem jamais cessar de evoluir nem poder separar-se dela.
Alguns testemunham do K como símbolo de perfeição e do N como símbolo de conhecimento; outros atestam o K como sinal de infidelidade e o N como sinal de desconhecimento — e, em virtude do império dessa constatação, cada um reintegra o centro da esfera do KUN.
Aquele que é determinado a ser (mukawwan) jamais poderá se subtrair à vontade dAquele que determina a ser (mukawwin): considerando a diferenciação dos ramos da Arvore do Universo e os frutos de espécies variadas que ela produz, sabe-se que sua raiz se desenvolve a partir da semente amorosa (habba) do KUN, ao mesmo tempo se diferenciando dela.
Quando se fez penetrar Adão no lugar onde a ciência era dada e se lhe concedeu a de todos os Nomes (asma'), ele considerou o simbolismo implicado no Imperativo KUN e discerniu o móvel querido por Aquele que determina o ser em relação com aquele que é determinado a ser.
Adão, que recebeu essa ciência, soube que o K que compõe a expressão KUN correspondia àquele que se encontra no início da palavra “tesouro” (kanziyya) mencionada neste hadith qudsi: “Eu era um Tesouro oculto. Não era conhecido. Ora, amei ser conhecido. (Criei pois as criaturas e as fiz conhecer-Me por Mim. Então Me conheceram.)”
Ele constatou então que o segredo do N era aquele da função do Eu divino (ananiyya) em virtude deste versículo: “Em verdade, Eu sou Deus. Nenhum deus além de Mim (innani ana-llah, la ilaha illa ana). (Adora-Me pois e estabelece imutavelmente a oração de união para o Meu Dhikr)” (Corão XX, 14).
O K, inicial da palavra “tesouro”, correspondia também ao K do enobrecimento (karam) segundo este versículo: “Certamente enobrecemos os filhos de Adão…” (Corão XVII, 70) e ao K de “Eu sou” (kuntu) mencionado neste hadith qudsi: “… Eu sou seu ouvido, sua vista e sua mão…”.
Do N do nome que exprime a função do Eu divino (ananiyya) tirou-se o N em relação com a luz (nuriyya) segundo este versículo: “… Pusemos uma luz (nur) pela qual ele caminha entre os homens…” (Corão VI, 122) e pela qual se chega ao N do benefício (ni'ma) segundo este versículo: “E se quisésseis contar os benefícios (ni'ma) de Deus, não poderíeis enumerá-los” (Corão XIV, 34).
Iblis — que Deus o amaldiçoe — permaneceu quarenta mil anos no lugar onde a ciência era dada e pôs-se a estudar exaustivamente as letras que compõem o Imperativo KUN, mas o Instrutor divino da ciência o tornou confiante em si mesmo e o deixou depender de sua própria força e de sua própria capacidade.
O miserável pôs-se então a considerar o simbolismo do KUN de modo que pôde constatar, a partir dele, a relação que o K tinha com sua infidelidade (kufr), chegando assim a se dar importância (kabbara) em virtude da autoridade deste versículo: “… Recusou (prostrar-se diante de Adão) e se considerou importante…” (Corão II, 34).
Ele percebeu que o N da palavra KUN exprimia o de sua natureza ígnea (nariyya) conforme esta palavra: “Tu me criaste de fogo (nar)…” (Corão VII, 11).
Assim o K referido à sua infidelidade uniu-se ao N de sua natureza ígnea e, em consequência: “os seres serão precipitados na Geena” (Corão XXVI, 94).
3. RELAÇÃO DE ADÃO E DE IBLIS COM ESSA ARVORE ANTES E DEPOIS DA QUEDA
Quando Adão observou que essa árvore se diferenciava e que portava flores e frutos de variedades diversas, estabeleceu-se firmemente no ramo (ghusn) do: “Em verdade, Eu, Eu sou Deus, (nenhum deus além de Mim, adora-Me pois…)” (Corão XX, 14), e foi então que se lhe fez ouvir: “Come dos frutos do reconhecimento da Unidade divina (Tawhid) e busca abrigar-te à sombra do reconhecimento de Sua Singularidade (tafrîd) e não te aproximes (vós dois: Adão e Eva) dessa árvore” (cf. Corão II, 35).
Iblis quis então alcançar Adão por um (outro) ramo e inspirou a eles dois, Adão e Eva, comer dessa árvore, de modo que foram arrastados a lugares escorregadios.
Adão desobedeceu e tentou se recompor no ramo do: “Nosso Senhor! Fomos injustos para com nossas almas” (Corão VII, 23).
Frutos se apresentaram a ele, bem perto, e ele os colheu.
Quando se endereçou assim a ele, no Dia em que os presentes testemunharam: “Não sou eu vosso Senhor?…” (Corão VII, 172), cada um (dos descendentes de Adão) testemunhou então na medida do que atestou e ouviu, e todos foram acordes em responder: “sim” (Corão VII, 172), embora diferenças tenham aparecido na maneira de testemunhar, em razão da diversidade de possibilidades inerentes a cada ser.
Aqueles que fizeram esse testemunho em favor de Deus em função da Beleza de Sua Essência testemunharam que: “nada Lhe é semelhante” (Corão XLII, 11).
Aqueles que testemunharam assim em Seu favor em função da Beleza de Suas Qualidades atestaram que: “Nenhum deus além dEle, o Soberano, o Santíssimo” (Corão LIX, 23).
Aqueles que testemunharam em Seu favor diante do atrativo que os seres por Ele criados têm por Ele testemunharam de maneira diferente tendo em conta a diversidade de aspectos que assume o Testemunhado (mashhud).
Certos fazem de Deus uma realidade limitada (mahdud), outros afirmam que Ele é privação pura ou não-ser (ma'dum), e enfim certos sustentam que Ele é rocha consistente — mas cada ser dessas três categorias é regido pela autoridade desta palavra: “Diz! Nada nos alcançará a não ser o que Deus tenha escrito por causa de nós…” (Corão IX, 51), visto que o que assim exprime está incluído no segredo do Imperativo KUN.
4. DIFERENCIAÇÃO E IMPLICAÇÃO RELATIVAS A ESSA ARVORE
Essa semente vindo a desenvolver a Arvore do Universo, produzir seus frutos e sendo o princípio inteligível de sua forma, Deus diz: “Amei fazer um modelo (mithal) daquele que foi determinado a ser e do ser existente. As palavras, os atos e os estados devendo ser produzidos neste Universo de uma maneira ou de outra, fiz assim um símbolo adequado da árvore que cresce a partir da raiz saída da semente do KUN.”
Todas as realidades adventícias que se atualizam no Universo — tais como a diminuição e o crescimento, o oculto e o manifesto, a infidelidade e a fé, os frutos das obras, a esmola pura e frutífera dos estados — tudo o que existe em fato de palavras fecundas, de folhas nutritivas assimiláveis, de gostos, de conhecimentos sutis, todas as folhas assimiladas às oferendas dos Aproximados, às estações dos piedosos, às moradas dos verídicos, às confidências dos conhecedores, às contemplações dos amorosos — tudo isso constitui os frutos que essa Arvore porta e o esplendor que ela desdobra.
a) Sua diferenciação em três ramos
Três ramos foram os primeiros brotos dessa Arvore a sair da semente do KUN: um deles, seguido pelos Companheiros da Direita, dirigiu-se para esse lado; outro, percorrido pelos Companheiros da Esquerda, orientou-se para essa direção; e o último ramo se ergueu em equilíbrio sobre o eixo da retidão imutável, onde procissionam os “Precursores-Aproximados”.
Esse triplo crescimento tornou-se firme e elevou-se ao ponto em que de seus dois ramos, superior e inferior, surgiu a esfera da Forma e do Princípio inteligível ('alam al-sura wa al-ma'na).
Sua casca periférica e seu alburno subjacente representam a esfera do Reino ('alam al-mulk).
Seu coração interior ou medula e os canais centrais de seus princípios inteligíveis ocultos são assimilados à esfera da Realeza celeste ('alam al-malakut).
A seiva que escoa nos sulcos de seus vasos simboliza seu crescimento, sua vida e seu apogeu, e essa seiva pela qual suas flores se desabrocham e seus frutos amadurecem é comparável à esfera da Onipotência ('alam al-jabarut), segredo do Imperativo KUN “sê!”.
b) Sua esfera limite
Uma cerca protetora (ha'it) englobou a Arvore, limites (hudud) a circunscreveram e contornos (rusum) foram traçados para mantê-la.
Seus limites são constituídos pelos três pares das direções cósmicas (jihat): o alto e o baixo, a direita e a esquerda, a frente e o trás.
Seus contornos englobando as esferas celestes (aflak), os corpos celestes (ajram), as possessões (amlak), os princípios regentes (ahkam), os efeitos (athar) e os sinais distintivos (a'lam) constituem sete zonas hierarquizadas, símbolos da sombra dada por sua folhagem.
Os astros (kawakib) iluminando o firmamento são como as flores nos confins da Arvore.
A noite e o dia são semelhantes às duas ornamentações opostas, uma delas negra a fim de se furtar aos olhares, a outra branca para se revelar aos seres dotados de penetração intuitiva.
c) O Trono
O Trono ('arsh) foi estabelecido como morada dessa Arvore, plena de todas as sortes de bens e como seu arsenal todo equipado.
É desse Trono que provém a assistência acordada por essa Arvore perfeita, e é nele também que evoluem os seres que regem essa Arvore e os que são seus servidores: “Verás os Anjos formando círculo todo em volta do Trono” (Corão XXXIX, 75), orientando-se para ele, buscando sua proteção, procissionando e girando ao redor dele.
A Arvore, em sua existência, não pode receber nem a direção para a qual poderiam se orientar, nem o lugar edificado para o qual gostariam de tender, nem a modalidade pela qual teriam algum conhecimento — e, se o Trono não tivesse dado direções permitindo orientar-se para Deus, teriam sido desgarrados em sua busca.
Deus — Glória a Ele e exaltado seja-Ele — existenciou o Trono somente para manifestar Seu Poder e não como lugar para Sua Essência, determinando a Existência universal sem necessitá-la, mas para manifestar Seus Nomes e Suas Qualidades, entre os quais se distingue: o Muito-Perdoador (ghafur) e o Perdão (maghfira), ou ainda o Muito-Generoso (karim) e a Generosidade (karam), o Muito-Misericordioso (rahim) e Sua qualidade de Misericórdia (rahma).
Os ramos dessa Arvore se diferenciam e seus frutos são de sortes variadas a fim de que o segredo encerrado no Perdão de Deus possa se manifestar ao pecador, o de Sua Misericórdia ao benfazejo, o de Sua Graça ao obediente, o de Sua Justiça ao desobediente, o de Seu Benefício ao fiel e o de Sua Vingança ao descrente.
Deus é de uma tal santidade que o que Ele existenciou não pode nem alcançá-Lo, nem aproximar-se dEle, nem unir-se a Ele, nem separar-se dEle — pois a união ou a separação são nomes qualificando o adventício (huduth) e não o Primordial (qidam).
d) A Tábua e o Calame
A Tábua brilhante (lawh) e a Pena celeste (qalam) foram determinadas para constituir o Escrito (kitab) do Reino divino (mulk), escrito que exprime os princípios que este último rege, onde se encontram preservação e corrupção, existência ou inexistência do que é decidido, bondade e benfazejança que daí emanam, recompensa e castigo que contém.
e) O Lotus do Limite
O Lotus do Limite (sidrat al-muntaha) (Corão LIII, 14) foi determinado como sendo um dos ramos saídos dessa Arvore, sob o qual se mantém aquele que respeita o serviço devido a esse ramo, que discerne os princípios, que o rege e que eleva ou abaixa para ele os frutos portados por essa Arvore.
É lá que tal ser encontra uma transcrição do Escrito do Reino divino, escrito que é a Tábua guardada (lawh mahfuzh).
O que sobrevém nessa Arvore universal em fato de apagamento ou de afirmamento, de diminuição ou de crescimento, não pode ultrapassar esse Lotus do Limite, pela razão de que todo ser tem um limite compreensível, um destino assinalado e um contorno formal determinado segundo esta palavra: “Nenhum dentre nós existe sem que haja uma estação assinalada” (Corão XXXVII, 164).
Nenhum dos frutos dessa Arvore se eleva, quer seja vil ou soberbo, pequeno ou grande, majestoso ou insignificante, quer se encontre em pequena ou grande quantidade, sem que tenha sido consignado num escrito “que não pode negligenciar de contar nenhuma coisa pequena ou grande” (Corão XVIII, 49).
f) O Paraíso e o Inferno
O Soberano Mestre ordenou a todos os seres avançar até um dos dois lugares que Deus preparou para aí depositar os frutos dessa Arvore: o Jardim paradisíaco e o Fogo infernal.
Cada fruto deliciosamente perfumado se encontra depositado no Jardim Paradisíaco: “Não! Em verdade o Escrito dos virtuosos se encontra na mais sublime das alturas ('illiyyin)” (Corão LXXXIII, 18).
Cada fruto corrompido é colocado no Fogo infernal: “Não! Em verdade o Escrito dos ímpios se encontra num lugar profundamente enterrado (sijjin)” (Corão LXXXIII, 7).
O Jardim paradisíaco é a morada onde evoluem os Companheiros da Direita no versante da montanha próspera em relação com “a Arvore benta e perfumada agradavelmente” (Corão XIV, 24) — do nome de TUBA.
O Fogo infernal é a morada de evolução dos Companheiros da Esquerda em relação com “a árvore maldita na Recitação corânica” (Corão XVII, 60).
g) Este mundo inferior
Este mundo inferior foi encarregado de receber, em depósito, as flores dessa Arvore, e a Vida futura foi o lugar onde seus frutos se conformaram.
h) Sua forma esférica: envelope e conteúdo de toda coisa
Uma cerca englobou essa Arvore, tal o envelopamento que determina a Toda-Potência, pois “Deus não envelopa toda coisa?” (Corão XLI, 54); a esfera da Vontade divina (irada) tomou um movimento circular ao redor dela, pois “Deus faz o que bem quer” (Corão III, 40) “e decide o que quer” (Corão V, 1).
Quando a raiz dessa Arvore se fixou firmemente e seus ramos se consolidaram, suas duas extremidades se encontraram, uma alcançando a outra, pois “em direção a teu Senhor está o termo” (cf. Corão LIII, 42) — ou seja, o termo da Arvore e o seu início.
O início KUN “Sê!” necessitando o fim YAKUN “ela é” — esse processo existiria mesmo se se pudessem enumerar os ramos dessa Arvore e determinar o número de suas sementes cultivadas, mas sua raiz é única e trata-se da semente do Imperativo KUN “Sê!”; e, da mesma forma, seu desenvolvimento completo é também único e trata-se ainda da semente do Imperativo KUN.
5. NOMES ATRIBUÍDOS A DIFERENTES ASPECTOS DA ARVORE UNIVERSAL
Com o olhar da visão intuitiva, podem-se ver os ramos da árvore TUBA suspensos aos da árvore AZ-ZAQQUM, o frescor do zéfiro de AL-QARAB (o poço de água fresca bem próximo) misturando-se intimamente ao calor ardente de AS-SUMUM (o vento pestilencial), e a sombra do céu de AL-WASL (a conjunção) reunida àquela de YAHMUM (a fumaça negra e escaldante).
6. PARTE ALOCADA A CADA UM NA ECONOMIA DA ARVORE
Cada um já obteve sua parte alocada: um bebe até a borra na taça selada para ele, outro bebe pouco naquela que lhe foi reservada, e enfim um último interposto entre esses dois primeiros é impedido de beber; e quando os jovens presentes na Existência universal (atfal al-wujud) saíram da esfera da Privação absoluta ('adam), os alizares da Toda-Potência os puseram em espirização, as sutilezas penetrantes da Sabedoria os nutriram e as nuvens da Vontade os inundaram com a chuva das maravilhas espantosas da Obra divina.
7. SUA SUBSTÂNCIA LUMINOSA E ESPIRITUAL EM RELAÇÃO COM ADÃO E OS SERES HUMANOS
O Universo é constituído de dois princípios elementares saídos das duas componentes do Imperativo KUN “Sê!”: a treva e a luz — o bem provém integralmente da luz e o mal da treva.
O Pléroma dos Anjos veio à existência do princípio elementar da luz, de modo que o bem provém deles sem que possam desobedecer a Deus no que Ele lhes ordena.
Os asseclas de Satã foram produzidos do princípio elementar tenebroso, de modo que o mal emana deles.
Adão e sua descendência foram conformados de uma argila ao mesmo tempo luminosa e tenebrosa, e a composição de seu princípio elementar implicava por esse fato o bem e o mal, o útil e o nocivo — a natureza de Adão é portanto suscetível de receber o conhecimento e a ignorância.
Qualquer que seja a substância que predomina nele, ele lhe é tributário: se sua substância luminosa prevalece sobre sua substância tenebrosa e se sua espiritualidade se manifesta em detrimento de sua corporeidade, ele dá preferência ao Anjo e se eleva até a esfera celeste (falak); se ao contrário sua substância tenebrosa domina sua substância luminosa, ele dá preferência a Satã.
Quando Deus amassou Adão com um punhado de terra fina do KUN, fez uma unção sobre seus rins a fim de permitir-lhe distinguir o corrompido do bom: tirou dos rins de Adão os que deviam ser entre os Companheiros da Direita e, então, eles se orientaram para a Direita; tomou também de seus rins os que deviam ser entre os Companheiros da Esquerda e estes, por essa razão, tomaram a via da Esquerda — ninguém se desviou, pois, nem divergiu do que assim era querido.
Na origem, Deus empreendeu ao redor dessa Arvore, até a raiz da semente do KUN, pressionar seu elemento fundamental o mais puro e seu creme até fazer vir a manteiga; tirou então a quintessência com a ajuda do filtro da pureza até decantar a mais ínfima impureza; inundou-a então com a luz de Sua Guia até fazer aparecer a natureza; mergulhou-a enfim no oceano da Misericórdia até que as bênçãos inerentes a esse extrato se universalizem.