ÁRVORE UNIVERSAL

MGAM

II — SIMBOLISMO E SIGNIFICAÇÃO DA ARVORE UNIVERSAL

1. SEU SIMBOLISMO EM RELAÇÃO AO IMPERATIVO DIVINO “SÊ!” (KUN) E ÀS DUAS LETRAS K E N QUE O COMPÕEM

O Universo (kawn) e o ato que o determina a ser (takwin), a realidade preciosamente oculta (maknun) e seus efeitos nos graus cósmicos (tadwin) se revelam ao olhar interior como uma árvore (shajara), cuja raiz originária de sua luz é engendrada da semente amorosa (habba) do Imperativo divino “Sê!” (kun).

Quando Deus fez sair os seres do não-ser em virtude do estatuto implicado na Primordialidade (qidam), inundou-os de Sua luz, e aquele que essa luz alcança assimila o simbolismo dessa Arvore do Universo produzida da semente amorosa do “Sê!”.

O destino reservado a cada criatura em relação com a palavra KUN consiste em conhecer a soletração de suas duas consoantes e os segredos que ela implica, conforme este hadith do Enviado de Deus — sobre ele a Graça e a Paz: “Em verdade, Deus determinou Suas criaturas numa treva e as inundou em seguida de Sua luz. Aquele que essa luz alcança é bem guiado e aquele que essa luz não alcança é desgarrado e seduzido.”

2. SIMBOLISMO DAS LETRAS K E N EM RELAÇÃO COM ADÃO E IBLIS

Considerando a esfera da Existência universal (da'irat al-wujud), Adão descobriu que todos os seres existentes giravam na esfera do Universo, alguns sendo constituídos de fogo e outros de limo fino, e constatou que essa esfera existia em função dos segredos contidos no KUN, dentro da qual o ser se move e procissiona sem jamais cessar de evoluir nem poder separar-se dela.

Quando se fez penetrar Adão no lugar onde a ciência era dada e se lhe concedeu a de todos os Nomes (asma'), ele considerou o simbolismo implicado no Imperativo KUN e discerniu o móvel querido por Aquele que determina o ser em relação com aquele que é determinado a ser.

Iblis — que Deus o amaldiçoe — permaneceu quarenta mil anos no lugar onde a ciência era dada e pôs-se a estudar exaustivamente as letras que compõem o Imperativo KUN, mas o Instrutor divino da ciência o tornou confiante em si mesmo e o deixou depender de sua própria força e de sua própria capacidade.

3. RELAÇÃO DE ADÃO E DE IBLIS COM ESSA ARVORE ANTES E DEPOIS DA QUEDA

Quando Adão observou que essa árvore se diferenciava e que portava flores e frutos de variedades diversas, estabeleceu-se firmemente no ramo (ghusn) do: “Em verdade, Eu, Eu sou Deus, (nenhum deus além de Mim, adora-Me pois…)” (Corão XX, 14), e foi então que se lhe fez ouvir: “Come dos frutos do reconhecimento da Unidade divina (Tawhid) e busca abrigar-te à sombra do reconhecimento de Sua Singularidade (tafrîd) e não te aproximes (vós dois: Adão e Eva) dessa árvore” (cf. Corão II, 35).

4. DIFERENCIAÇÃO E IMPLICAÇÃO RELATIVAS A ESSA ARVORE

Essa semente vindo a desenvolver a Arvore do Universo, produzir seus frutos e sendo o princípio inteligível de sua forma, Deus diz: “Amei fazer um modelo (mithal) daquele que foi determinado a ser e do ser existente. As palavras, os atos e os estados devendo ser produzidos neste Universo de uma maneira ou de outra, fiz assim um símbolo adequado da árvore que cresce a partir da raiz saída da semente do KUN.”

a) Sua diferenciação em três ramos

Três ramos foram os primeiros brotos dessa Arvore a sair da semente do KUN: um deles, seguido pelos Companheiros da Direita, dirigiu-se para esse lado; outro, percorrido pelos Companheiros da Esquerda, orientou-se para essa direção; e o último ramo se ergueu em equilíbrio sobre o eixo da retidão imutável, onde procissionam os “Precursores-Aproximados”.

b) Sua esfera limite

Uma cerca protetora (ha'it) englobou a Arvore, limites (hudud) a circunscreveram e contornos (rusum) foram traçados para mantê-la.

c) O Trono

O Trono ('arsh) foi estabelecido como morada dessa Arvore, plena de todas as sortes de bens e como seu arsenal todo equipado.

d) A Tábua e o Calame

A Tábua brilhante (lawh) e a Pena celeste (qalam) foram determinadas para constituir o Escrito (kitab) do Reino divino (mulk), escrito que exprime os princípios que este último rege, onde se encontram preservação e corrupção, existência ou inexistência do que é decidido, bondade e benfazejança que daí emanam, recompensa e castigo que contém.

e) O Lotus do Limite

O Lotus do Limite (sidrat al-muntaha) (Corão LIII, 14) foi determinado como sendo um dos ramos saídos dessa Arvore, sob o qual se mantém aquele que respeita o serviço devido a esse ramo, que discerne os princípios, que o rege e que eleva ou abaixa para ele os frutos portados por essa Arvore.

f) O Paraíso e o Inferno

O Soberano Mestre ordenou a todos os seres avançar até um dos dois lugares que Deus preparou para aí depositar os frutos dessa Arvore: o Jardim paradisíaco e o Fogo infernal.

g) Este mundo inferior

Este mundo inferior foi encarregado de receber, em depósito, as flores dessa Arvore, e a Vida futura foi o lugar onde seus frutos se conformaram.

h) Sua forma esférica: envelope e conteúdo de toda coisa

Uma cerca englobou essa Arvore, tal o envelopamento que determina a Toda-Potência, pois “Deus não envelopa toda coisa?” (Corão XLI, 54); a esfera da Vontade divina (irada) tomou um movimento circular ao redor dela, pois “Deus faz o que bem quer” (Corão III, 40) “e decide o que quer” (Corão V, 1).

5. NOMES ATRIBUÍDOS A DIFERENTES ASPECTOS DA ARVORE UNIVERSAL

Com o olhar da visão intuitiva, podem-se ver os ramos da árvore TUBA suspensos aos da árvore AZ-ZAQQUM, o frescor do zéfiro de AL-QARAB (o poço de água fresca bem próximo) misturando-se intimamente ao calor ardente de AS-SUMUM (o vento pestilencial), e a sombra do céu de AL-WASL (a conjunção) reunida àquela de YAHMUM (a fumaça negra e escaldante).

6. PARTE ALOCADA A CADA UM NA ECONOMIA DA ARVORE

Cada um já obteve sua parte alocada: um bebe até a borra na taça selada para ele, outro bebe pouco naquela que lhe foi reservada, e enfim um último interposto entre esses dois primeiros é impedido de beber; e quando os jovens presentes na Existência universal (atfal al-wujud) saíram da esfera da Privação absoluta ('adam), os alizares da Toda-Potência os puseram em espirização, as sutilezas penetrantes da Sabedoria os nutriram e as nuvens da Vontade os inundaram com a chuva das maravilhas espantosas da Obra divina.

7. SUA SUBSTÂNCIA LUMINOSA E ESPIRITUAL EM RELAÇÃO COM ADÃO E OS SERES HUMANOS

O Universo é constituído de dois princípios elementares saídos das duas componentes do Imperativo KUN “Sê!”: a treva e a luz — o bem provém integralmente da luz e o mal da treva.