Fusus, RABW
A Santidade como Remoção Espiritual e os Dois Tipos de Elevação
Para entender o significado da palavra “santidade” no título deste capítulo, é necessário saber que o significado da raiz árabe qadasa é “estar muito removido”, o que neste contexto significa o distanciamento espiritual de Deus das amarras do mundo ou Cosmo.
A noção de distanciamento espiritual, no sentido de transcendência, está intimamente associada à noção de altura ou elevação, que é precisamente o principal tópico de discussão neste capítulo.
O conceito de elevação é dividido em dois tipos: elevação de posição, que se relaciona à atividade cósmica pela alma, e elevação de grau, que se relaciona ao conhecimento do espírito.
Elevação de posição é de acordo com uma escala cósmica e elevação de grau é de acordo com uma escala divina, embora seja somente Deus, como o elemento adorado na polaridade Criador-criação, Quem pode ser dito elevado, uma vez que a própria Realidade está além e, ao mesmo tempo, abraça tal conceito, seja de posição ou de grau.
Tudo depende de se considerar Deus como o Uno no sentido do Único, ou como o Uno, o Primeiro de muitos.
A Teoria Mística do Número
Isso conduz ao próximo assunto tratado no capítulo, a saber, o da teoria mística do número.
Discutem-se as implicações para os ensinamentos de considerar o número um, seja como o número por excelência do qual todos os outros números derivam e dos quais são meras manifestações, ou o número um como uma realidade única em si mesma, não relacionada e além de qualquer possibilidade de multiplicação.
Esta questão se relaciona, mais uma vez, à polaridade Deus em Si mesmo-Deus no Cosmo: deve-se ver Deus como único, portanto como não relacional e não relacionável, ou como a origem relacional e relacionada de toda a existência criada?
Ambas as perspectivas são verdadeiras da Realidade.
A Relação da Natureza Cósmica com Deus e o “Criador Criado”
Ao discutir a relação da Natureza cósmica com Deus, compara-se a relação da Natureza com Deus à relação pai-filho e Adão-Eva, buscando mostrar que o Cosmo, derivando como deriva de Deus, é essencialmente não outro senão Ele.
Retorna-se a essas analogias mais adiante na obra.
Considerado do ponto de vista da própria Realidade, não há um viés claro em favor do Criador em vez da criação, pois, deste ponto de vista, pode-se falar de um “Criador criado” e de uma “criação criadora”, como ele mesmo expressa.
Os Nomes Divinos e a Participação em Toda a Criação
O capítulo termina com outro olhar sobre o assunto dos Nomes divinos.
Uma vez que todos os Nomes que servem para descrever a natureza da relação Criador-criação são os Nomes de Deus, termo que é ele mesmo o Nome universal, cada nome particular deve necessariamente expressar, ainda que apenas essencialmente, todos os outros Nomes, enquanto em si mesmo denota algum aspecto particular da conexão divina com o Cosmos.
Cada criação particular em sua própria relação particular com seu Senhor, conforme determinado por sua própria predisposição latente in divinis, participa na realidade de toda a criação possível, pois mesmo em sua particularidade ela é, e não pode ser, outra senão Ele.