MISERICÓRDIA

Ibn Arabi, William Chittick

A hermenêutica da confiança e a interpretação do Alcorão

A erudição islâmica tradicional é caracterizada por uma hermenêutica da confiança (em Deus), em contraste com a “hermenêutica da suspeita” da academia moderna, havendo uma tensão entre teólogos (que confiam na ira) e sufis (que confiam na misericórdia).

Boas opiniões sobre Deus

O dito divino “Estou com a opinião que Meu servo tem de Mim, então que sua opinião de Mim seja boa” é fundamental, pois aqueles que têm uma boa opinião de Deus receberão o bem d’Ele.

O retorno ao Misericordioso

A boa opinião de Ibn ‘Arabi sobre o Deus Misericordioso (cuja misericórdia tem precedência sobre Sua ira) é categórica: embora certos tipos de incrédulos permaneçam para sempre no inferno, até mesmo eles cessarão de sofrer após um período de tempo.

A misericórdia do wujud

O cosmos é idêntico à misericórdia, pois a misericórdia de Deus abraça tudo (Q. 7:156).

A precedência da misericórdia

A misericórdia finalmente triunfa, pois ela abraça a própria ira, confinando-a e governando sobre ela.

Servidão essencial

Há dois tipos básicos de adoração e servidão: a “essencial” (que segue a natureza criada) e a “acidental” (derivada dos comandos de Deus entregues pelos profetas).

Natureza primordial

Todas as pessoas nascem com uma disposição inata para o tawhid (natureza primordial – fitra), associada ao Pacto de Alast (Q. 7:172).

Tormento doce

Embora o Alcorão afirme que o inferno durará para sempre, Ibn ‘Arabi nega a permanência do sofrimento com base na precedência da misericórdia.

Diversidade constitucional

A justiça divina se manifesta quando Deus coloca as pessoas onde elas pertencem por sua própria natureza, e a bem-aventurança é o que é aceito pela constituição e desejado pela alma.

Rendição

A miséria de uma alma deriva de sua recusa em se submeter à sabedoria de Deus e aceitar sua própria natureza.