DEUS E O COSMOS

SDG

Wujud e as Entidades

O cosmos é definido como “tudo o que não é Deus”, sendo a marca e o sinal que aponta para o Real, e o termo árabe para cosmos deriva da raiz de “marca”, “sinal” e “conhecimento”.

Eus e Horizontes

Os sinais de Deus são encontrados tanto no mundo externo (horizontes) quanto no interior dos seres humanos (em si mesmos), sendo o ser humano um microcosmo que contém os sinais do cosmos.

Sinais, Marcas e Provas

A superioridade dos sinais sobre as provas racionais é estabelecida, pois a fé percebe com uma luz interior que não aceita escurecimento, ao contrário da razão.

O Povo de Deus e os Gnósticos

O Povo de Deus, também conhecido como gnósticos, reconhece as coisas do universo como sinais e compreende as mensagens que eles transmitem, testemunhando os sinais de si mesmos e dos horizontes.

Wujud (Ser/Existência)

Wujud pertence somente a Deus, sendo idêntico ao Real, enquanto o cosmos é tudo o que não é wujud, e as coisas existentes manifestam wujud, mas são inerentemente inexistentes em si mesmas.

Causalidade

Deus não é considerado a “causa” do universo, pois causa e efeito são correlatos inextricáveis que se demandam mutuamente no wujud, contradizendo a independência da Essência divina.

O Conhecimento de Deus

O conhecimento de Deus é a raiz de todo conhecimento, e o cosmos é a exteriorização desse conhecimento, de modo que nenhum conhecimento de Deus é concebível sem o cosmos.

O Livro Precedente e a Fixidez

O cosmos é um livro inscrito por Deus de acordo com Seu conhecimento eterno, e cada entidade ou criatura é encontrada no texto em seu lugar próprio, imutavelmente fixa no conhecimento divino.

A Forma de Deus

O famoso hadith “Deus criou Adão em Sua forma” é interpretado no sentido de que o cosmos é uma vasta coleção de formas que manifestam as entidades fixas, e tudo no cosmos pode ser visto como uma forma do Real.

As Entidades Inexistentes

As entidades são essencialmente inexistentes, mas adquirem wujud de Deus, sendo “Ele/não Ele” – o mesmo que wujud e outro que não wujud ao mesmo tempo.

Do Capítulo 73: A Centésima Terceira Pergunta

A incompreensibilidade de Deus é conectada à questão do wujud através do hadith qudsi “A exaltação é meu tapa-sexo”, onde a exaltação impede as faculdades racionais de perceber como as entidades recebem a doação de existência.

A Criação e a Automanifestação (Tajalli)

Dizer que Deus “cria” o universo significa que Ele Se manifesta nas formas chamadas “criaturas”, e tudo no universo é a automanifestação de Deus, pois tudo exibe wujud e os traços de Seus nomes.

Renovação Ininterrupta

A criação é constantemente renovada a cada instante em tudo o que não é Deus, e o cosmos passa por uma incessante afirmação de wujud seguida por sua imediata negação.

Do Capítulo 369: A Dispensa das Luzes

Os corpos naturais são as dispensa das luzes através das quais sua existência engendrada é iluminada, e o fogo está escondido nas pedras, assim como o Real está escondido dentro da criação.

Infinitude

Wujud é infinito em si mesmo, mas é impossível para o infinito entrar no wujud delimitado e limitado que é o cosmos, e as entidades fixas são infinitas em sua inexistência.

Embora o poder se conecte a coisas possíveis infinitas, o conhecimento tem um compasso maior, pois se conecta ao poder, às coisas possíveis, necessárias, impossíveis e engendradas.

A Entidade Una

Embora o cosmos seja uma multiplicidade, ele remonta a uma Entidade Una (‘ayn wahida), e a diversidade de propriedades que aparece no cosmos pertence à multiplicidade das coisas, não à unicidade da Entidade.

Do Capítulo 360: A Nona Deputação

O ser humano possui todos os atributos que possui apenas na medida em que é o vice-regente (khalifa) de Deus, e Deus confiou certos assuntos aos seres humanos, esperando que ajam de acordo.

Do Capítulo 198: O Vigésimo Primeiro Tawhid

A unidade (tawhid) do Real, que é a unidade do “Ele”, é explicada através do versículo “Então exaltado é Deus, o Rei, o Real! Não há deus senão Ele, o Senhor do Trono Nobre” (23:116).

O Fim de Tudo e o Rosto de Deus

O versículo “Toda coisa é perecível, exceto o Seu rosto” (28:88) é lido de duas maneiras: ou significa que só Deus tem wujud e todas as coisas habitam na inexistência, ou que todas as coisas perecem, mas seus rostos (suas realidades, entidades fixas conhecidas por Deus) nunca perecem.

Realização (Tahqiq)

A realização é a estação que não aceita obfuscação detratora, sendo o conhecimento verdadeiro da verdade (haqq) exigida pela essência de cada coisa, e o Realizador vê o rosto de Deus em tudo.

O Véu (Hijab)

Um véu é algo que impede de ver o rosto, e tudo no cosmos é um véu, mas na medida em que tudo manifesta wujud, tudo é idêntico ao Seu rosto.

O Rosto Específico (al-Wajh al-Khass)

Toda coisa criada tem dois rostos: um voltado para as ocasiões (causas secundárias) e outro voltado para o Real (wujud), sendo este último o “rosto específico” através do qual Deus lhe dá existência e que nunca perece.

As Glórias (Subuhat)

As glórias são as luzes do rosto de Deus que queimam tudo o que a visão de Suas criaturas percebe, e elas se relacionam primariamente com a incomparabilidade, majestade e ira divinas.