NOMES DE DEUS

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** Os Nomes de Deus **

O fio condutor do Corão não são as narrativas proféticas nem as injunções legais, mas os Belíssimos Nomes divinos, que constituem o centro do pensamento teológico islâmico e o fundamento da dialética de Ibn al-Arabi.

** Nomes, Atributos e Relações **

A Presença Divina abrange a Essência, os Atributos e os Atos divinos, sendo os nomes o istmo entre a Essência e o cosmos, e os únicos meios de se obter conhecimento de Deus.

** (1) Os Nomes dos Nomes **

As palavras humanas que designam os nomes divinos não são os próprios nomes, mas os “nomes dos nomes”, revelados por Deus através das escrituras, e possuem uma dupla realidade ontológica.

** (2) Relações **

Os nomes divinos são relações, não entidades existentes, e a pluralidade dos nomes não implica pluralidade na Divindade, pois os efeitos são múltiplos nas criaturas, mas Deus não se torna múltiplo por meio deles.

** (3) As Duas Denotações dos Nomes **

Todo nome divino significa duas realidades — a Essência Divina e uma qualidade específica que o distingue dos demais nomes —, e em última análise cada nome denota todos os nomes, por ser idêntico à Essência.

** (4) Realidades, Raízes e Suportes **

A “realidade” — haqiqa — de um nome é a Essência Divina considerada em relação a uma relação particular que assume com as criaturas, e tudo no cosmos pode ser rastreado até essas realidades divinas, que são imutáveis.

** (5) Propriedades e Efeitos **

Os nomes divinos são o istmo entre Deus e o universo, e os “efeitos” ou “propriedades” dos nomes são os próprios fenômenos do cosmos — as criaturas enquanto tornam os nomes divinos manifestos.

** Os Nomes da Existência Engendrada **

As coisas engendradas recebem inúmeros nomes, e a questão de quantos deles podem ser atribuídos a Deus é regulada pelo princípio teológico da “condicionalidade” — tawqif —, que exige que apenas os nomes revelados pelo próprio Deus sejam usados.

** Causas Secundárias **

As causas secundárias — asbab — preenchem o cosmos como formas e véus, ou seja, efeitos e propriedades dos nomes divinos, sendo que a pobreza em relação a elas é, em verdade, pobreza em relação à Causa Primeira.

** Hierarquia nos Nomes **

Os níveis divinos remontam ao fato de que os nomes divinos denotam a Essência e uma realidade específica, e o nível mais elevado pertence ao nome que designa a mais ampla dessas realidades — o nome Allah, que denota a Divindade.

** A Classificação dos Nomes: Nomes de Incomparabilidade e Nomes dos Atos **

Os nomes divinos dividem-se em duas categorias — os que negam determinadas descrições de Deus e os que afirmam que Ele possui atributos —, correspondendo à incomparabilidade e à similaridade.

** A Essência e a Divindade **

A Essência Divina é Deus em Si mesmo, sem referência às relações com as criaturas, enquanto a Divindade é a Essência considerada em relação às coisas criadas, e apenas atributos negativos podem ser ascriados à Essência.

** A Incognoscibilidade da Essência **

Deus é conhecido por meio das relações e correlações que se estabelecem entre Ele e o cosmos, mas a Essência é desconhecida, pois nada se relaciona a Ela — e a Shari'a proibiu a reflexão sobre a Essência de Deus.

** A Independência da Essência **

Deus é “Independente dos mundos” em relação à Essência — o termo ghina significa independência, riqueza e ausência de necessidade —, enquanto a pobreza — faqr — é o atributo essencial e inerente de todas as coisas criadas.

** O Nome “Allah” **

O nome “Allah” é o nome “abrangente”, que designa todos os nomes e atributos de Deus, reunindo tanto a Essência quanto a Divindade e sendo a “coincidência dos opostos” — jam al-addad.

** A Conferência dos Nomes **

Em várias passagens, Ibn al-Arabi descreve como os nomes divinos se reuniram e discutiram sua situação “antes” que suas propriedades e efeitos se manifestassem — uma cena que o próprio Shaykh chama de “A Conferência, Discussão e Concordância dos Nomes Divinos na Arena do Debate”.

** O Conflito Divino **

A multiplicidade de relações discerníveis em Deus resulta em uma multiplicidade de relações no cosmos, e mesmo o conflito, a discórdia e a guerra encontrados nas coisas criadas têm suas raízes em Deus.

** A Unidade da Essência **

Os nomes são múltiplos apenas em propriedades, não em existência, pois cada um é idêntico em existência à Essência, e a multiplicidade não é um atributo intrínseco dos nomes, apenas do que manifesta suas propriedades.

** As Disputas dos Anjos **

O nome Allah é a “totalidade dos nomes contrários” — majmu al-asma al-mutaqabila —, reunindo o Perdoador e o Vingador, o Humilhador e o Exaltador, e essa é a raiz do Conflito Divino e de toda contenda que se manifesta no cosmos.

** Incomparabilidade e Similaridade **

Ibn al-Arabi alterna constantemente entre dois pontos de vista — a incomparabilidade e a similaridade —, sustentando que o verdadeiro conhecimento de Deus e da criação só pode advir da combinação das duas perspectivas.