PRESENÇA DIVINA

SPK

Buscando Deus — A busca por Deus exige verificação experiencial, não apenas resposta teórica, e quem a realiza passa a habitar a Presença divina.

Visão geral

Tudo o que existe fora de Deus habita uma terra de ninguém entre afirmação e negação, encontro e perda, conhecimento e ignorância — e os Encontradores distinguem-se por estarem plenamente conscientes dessa ambiguidade.

Mundos e Presenças

O universo pode ser concebido tanto como o conjunto de tudo o que é “outro que Deus” quanto como o espaço em que a Presença divina se manifesta, e essa dualidade de perspectivas gera a distinção entre “mundos” e “presenças”.

Ser e Inexistência

A palavra wujud comporta dois sentidos fundamentais — existência como atributo de coisas determinadas e o Ser como natureza própria de Deus —, e essa distinção estrutura toda a ontologia de Ibn al-'Arabi.

Atributos Divinos

Os Atributos divinos — expressos pelos Nomes de Deus — constituem o conceito mais importante de toda a obra de Ibn al-'Arabi, pois nada, divino ou cósmico, pode ser compreendido sem referência a eles.

Atos Divinos

Os Atos divinos — designados por múltiplos termos como “criaturas”, “formas”, “existentes” e “entidades imutáveis” — habitam o domínio intermediário da existência, cujo estatuto permanece para sempre ambíguo.

Macrocosmo

O cosmos não é dispersão aleatória, mas hierarquia ordenada pela Sabedoria divina, e sua estrutura pode ser lida à luz do par fundamental “luz” e “trevas”.

Microcosmo

O ser humano não se encaixa em nenhuma das categorias cósmicas de modo limpo, pois abraça toda a hierarquia da existência, do mais luminoso ao mais obscuro.

Dinâmica cósmica

A característica mais saliente do cosmos é seu estatuto ambíguo de “Ele/não-Ele”, e essa ambiguidade adquire uma nova dimensão quando o tempo é levado em consideração.

Retorno a Deus

Todas as coisas retornam a Deus, mas apenas os seres humanos — e os jinn — chegam ao universo como potencialidade aberta de crescimento ou degradação, podendo retornar de formas completamente distintas daquela com que vieram.

Assumindo os traços de Deus

O processo pelo qual o homem vem a manifestar os atributos divinos é designado pelo termo takhalluq — “assumir os traços” — e está profundamente enraizado na tradição islâmica do khuluq (caráter).

Ética teomórfica

A ética sufi, e em particular a de Ibn al-'Arabi, está fundamentada na ontologia: os traços nobres de caráter não são qualidades externas e opcionais, mas definem o próprio modo de existência e determinam em que medida se participa da plenitude da Luz do Ser.

Escala da Lei

A Lei revelada (shar') é a balança (al-mizan) em que tudo deve ser pesado — Deus, conhecimento, amor, realização espiritual e o estado humano em geral —, sendo o único ancouradouro concreto para que o ser humano se mova em direção ao Centro e não se perca na dispersão.

Vendo as coisas como são

Somente o homem perfeito é capaz de ver todas as coisas em seus lugares próprios, porque Ibn al-'Arabi não aceita nenhum absoluto além da Essência do Real e do nada puro e simples.

Perfeição humana

O Ser não-delimitado é uno em Sua Essência e múltiplo em Suas auto-revelações, e encontra sua expressão exterior mais plena no homem perfeito, que manifesta os nomes de Deus em seu desdobramento total.