STÉPHANE RUSPOLI

ABP

O tratado de alquimia espiritual aqui publicado é obra do célebre teosófo Mohyiddîn Ibn Arabi, reconhecido como o “maior Shaykh” do sufismo e um dos mais audazes metafísicos e gênios visionários produzidos pela cultura esotérica tradicional do Islã.

A crise espiritual determinante na vida de Ibn Arabi está na fonte de suas êxtases recorrentes, de seus abalos interiores, de suas visões “imaginais” e visões proféticas, ou seja, de todos os eventos espirituais de sua vida.

A raridade de traduções da obra de Ibn Arabi contrasta com o número já apreciável de estudos, ensaios, artigos e monografias que lhe foram consagrados, sendo que a publicação anotada de “A Alquimia da Felicidade” se justifica por razões imperiosas.

O “Livro das Conquistas Espirituais de Meca” (Futuhat) é uma verdadeira sinfonia visionária que explora o registro completo dos conhecimentos “inatos”, que procedem por desvendamento e revelação interior, e das ciências “adquiridas”, fruto da aprendizagem.

O título do tratado, “Alquimia da Felicidade Perfeita” (Kimîyâ al-Sa’âda), é explicitado pelo próprio autor no início, onde define o conceito místico de “felicidade” (sa’âda) em função da “perfeição”, sendo esta a fonte metafísica daquela.

O mi’râj designa a “Assunção celeste” vivida pelo profeta Mohammad durante uma noite de êxtase, no qual foi arrebatado aos céus e conduzido por Gabriel, o Anjo da Revelação, desde Meca até o Templo da Jerusalém celeste situado no sétimo céu.

Na fonte da doutrina está a certeza de que a alquimia, sendo de essência divina, procede do conhecimento dos profetas, que detêm as chaves e as comunicam a seus adeptos, os buscadores do “Elixir dos gnósticos”.