RESUMO

Michel ValsanIbn Arabi — Livro da Extinção na Contemplação

O LIVRO DA EXTINÇÃO

A Realidade Divina Essencial transcende qualquer contemplação enquanto subsistir no contemplante algum traço de sua condição de criatura — quando se extingue o que nunca foi, e permanece o que nunca deixou de ser, levanta-se o Sol da prova decisiva para a Visão verdadeira, produzindo a sublimação absoluta na Beleza Absoluta.

Esse tipo de desvelamento e de ciência deve ser ocultado à maioria das criaturas, pois abaixo desse limiar há um abismo profundo de queda — quem não possui o conhecimento das realidades próprias das coisas e ignora a continuidade infinitesimal dos vínculos universais pode, ao deparar com tais ensinamentos, apropriar-se indevidamente de expressões que não correspondem a nenhuma experiência direta sua.

Os livros dos iniciados estão repletos de mistérios, e os especulativos os apreendem segundo seus pontos de vista particulares, enquanto os exoteristas os interpretam em sua acepção mais literal para depois difamá-los — quando se pergunta a esses críticos o significado dos termos técnicos que os iniciados empregam de comum acordo, constata-se que os ignoram.

Os que professam a eficácia das aspirações espirituais permanecem em suas vias claras até que painéis anunciadores, portados pelos Espíritos Superiores que residem no Grau da Proximidade, brilhem para eles — painéis com escrituras traçadas que testemunham a realização obtida — e o véu seja retirado, a venda desfeita, o ferrolho aberto.

A Realidade Divina Essencial é demasiado elevada para ser contemplada pelo “olho” que deve contemplar enquanto subsiste qualquer traço da condição de criatura no contemplante — e quem diz “Ele se ocultou a mim depois de se revelar” nunca teve uma verdadeira revelação, mas apenas entreve uma claridade que tomou por Ele, pois a criatura não tem estabilidade num estado, e quando o estado muda, fala em “véu”.

O coração possui duas faces — uma exterior e uma interior — e a face interior não comporta o “apagamento”, sendo pura e sólida “firmeza”, enquanto a face exterior comporta o apagamento.

Quem tem um “Livro” e crê apenas em parte dele é verdadeiramente incrédulo — os que reconhecem somente o que os santos trazem conforme se harmoniza com suas próprias opiniões e rejeitam o restante praticam esse tipo de descrença.

A Fé apoiada nas obras virtuosas se mantém na Mão da Presença Santíssima, e dessa Mão jorram entre os Dedos rios de ciências, conhecimentos, regras de sabedoria e segredos — há quatro Presenças fundamentais.

A Morada iniciática tratada neste escrito inclui as “Moradas da Extinção e do Nascimento dos Sóis” — é a ela que corresponde o grau do Ihsan — não o Ihsan pelo qual “tu O vês”, mas o Ihsan pelo qual “Ele te vê”.