MAL

CECQ

VIII. A NATUREZA DO MAL

1. Perfeição cósmica e imperfeições individuais

As categorias do “bem” e do “mal” têm, em um sistema cosmológico de tipo não-dualista, um alcance inteiramente diferente do que têm, por exemplo, em jurisprudência — os fenômenos que provocam em nós felicidade ou sofrimento e os comportamentos que são objeto de julgamentos morais não são em definitivo senão aspectos particulares da manifestação das possibilidades da Sabedoria divina, cujo número e modalidades são infinitos.

2. O “véu” ao nível dos Atos

O pecado, nos homens “velados” ao nível dos Atos, consiste em cometer todo ato repreensível reconhecido como tal pela Lei religiosa do Islã — e sua causa mais fundamental reside na ausência ou fraqueza da “predisposição luminosa” no pecador.

3. O “véu” ao nível dos Atributos

No nível espiritual superior, o pecado consistirá para o homem em permanecer velado em relação aos Atributos divinos e imputar seu mérito e origem a alguém ou algo diferente de Deus.

4. O “véu” ao nível da Essência

No nível superior da realização espiritual — o da unificação da Essência —, o pecado se identifica ao que Qashani chama de “alteração” (talwin): a persistência insidiosa de um resto de consciência separativa que falsearia completamente a extinção (fana') do Sufi na Essência divina.