MÉTODO DE EXEGESE DE QASHANI

CECQ

III. O MÉTODO DE EXEGESE DE QASHANI

1. Os níveis de interpretação

A pluralidade dos níveis aos quais pode se colocar o comentador corresponde à diversidade dos níveis da interpretação esotérica — ela mesma função, em parte, da variedade dos níveis de abstração e da riqueza simbólica de cada versículo — e em Qashani distinguem-se cinco planos de comentário que se encaixam uns nos outros e se correspondem mutuamente.

2. Ta'wil e Tatbiq

O tatbiq corresponde à “aplicação” do simbolismo corânico ao nível microcosmico, concernindo exclusivamente à interpretação relativa ao domínio da psicologia espiritual — sendo de longe a forma de exegese mais empregada nos Comentários.

3. O emprego dos métodos de interpretação exotéricos

Qashani utiliza às vezes uma interpretação puramente gramatical de certos versículos que faz inclinar seu sentido para uma interpretação mais espiritual — sem que isso constitua propriamente exegese esotérica.

4. Sentido literal e interpretação anagógica

Qashani afirma claramente que é indispensável admitir também o sentido exterior em sua acepção mais literal — ao menos no que concerne às histórias relatadas no Alcorão e às disposições de ordem ritual e jurídica.

5. As correspondências simbólicas

Ao colocar em relação os principais temas corânicos e suas interpretações esotéricas, é possível estabelecer constantes — as correspondências metafísicas são na maioria das vezes desenvolvidas a partir de termos de nível elevado de abstração ou de passagens dotadas de rico conteúdo simbólico.

6. As redes de símbolos

Os diferentes níveis de interpretação metafísicos, macro e microcosmicos estão em estreita relação entre si em virtude de uma analogia de estrutura — o homem é uma imagem sintética dos elementos do universo, e na psicologia sufi encontram-se as mesmas relações que entre os diversos elementos da cosmologia espiritual ou na ordenação das esferas celestes.

7. A coerência interna do comentário simbólico

A exegese esotérica, por sua natureza mesma, não se propõe a oferecer uma transposição geométrica do sentido do texto a outro nível — os símbolos corânicos, a raiz da palavra árabe, remetem a múltiplos domínios e a perspectivas de interpretação infinitamente variadas, oferecendo ao exegeta um vasto teclado de possibilidades.