AMOR

MORA, Fernando. Ibn ’Arabi: vida y enseñanzas del gran místico andalusí. 1. ed ed. Barcelona: Ed. Kairós, 2011.

** O Amor na Doutrina Akbari **

Embora o conhecimento forneça a pedra angular do edifício do ensinamento do Shaykh al-Akbar, declarações apaixonadas de amor abundam tanto em suas obras poéticas quanto em prosa — trata-se sempre de um amor sóbrio, gnóstico, temperado pela sabedoria.

** O Descenso do Amor **

O amor sempre irrompe de forma misteriosa e não premeditada — pode ser conhecido, mas não completamente definido; é um conhecimento de gosto que só quem o experimenta por si mesmo pode compreender.

** A Natureza do Amor **

Há apenas um amante na existência universal — Deus —, e Ele é também o único amado disfarçado sob múltiplas vestes; o amor é um fenômeno universal que abarca o amor divino, espiritual e natural.

** A Inexistência do Objeto Amado **

O amado nunca abandona o território da mera possibilidade; o amor é, por assim dizer, um devir que nunca acaba sendo — “uma afeição da vontade que se agarra a algo ausente cuja natureza é meramente potencial”.

** O Amor como Encontro dos Opostos **

O amor genuíno, que envolve a dedicação absoluta do amante ao amado, reúne facetas aparentemente contraditórias — assim como o ser humano perfeito, feito à imagem de Deus, une em si mesmo qualidades contraditórias, pois “Ele é o Primeiro e o Último, o Exterior e o Interior” (57:3).

** Amor Divino, Espiritual e Natural **

O amor não pode limitar-se a uma única esfera existencial, mas abarca todas elas; Ibn Arabi nunca dissocia os três aspectos da experiência amorosa porque o amor é um e porque o ser humano é capaz de aceder a qualquer um deles.

** A Contemplação de Deus no Princípio Feminino **

A contemplação de Deus no corpo feminino é a forma mais perfeita disponível ao místico, pois nela percebe Deus tanto em Seu aspecto ativo quanto em Seu aspecto receptivo, uma vez que a mulher é ao mesmo tempo criada e criadora.