DEUS

MORA, Fernando. Ibn ’Arabi: vida y enseñanzas del gran místico andalusí. 1. ed ed. Barcelona: Ed. Kairós, 2011.

Incomparabilidade e Similitude Divinas

Da perspectiva islâmica, Deus possui uma face não-manifesta ou interior — o tesouro oculto da essência divina, sempre inacessível e incognoscível exceto por Si mesmo — e outra face aparente, exibida por meio de Suas teofanias inesgotáveis, que é o que cada pessoa pode conhecer dEle segundo sua própria capacidade.

A Posição de Ibn Arabi: Similitude na Incomparabilidade

Segundo o Shaykh al-Akbar, ambas as posições — incomparabilidade e similitude — capturam apenas parcialmente a verdade; por isso ele é particularmente crítico de quem se apega a uma delas isoladamente.

A União dos Opostos

Citando o sufi Abu Said al-Jarraz (m. ca. 890), Ibn Arabi escreve que Deus não pode ser concebido senão como uma união de opostos, pois “Ele é o Primeiro e o Último, o Exterior e o Interior” (57:3) e “a totalidade dos nomes contrários”.

Razão e Imaginação

A perspectiva da incomparabilidade divina é, segundo Ibn Arabi, o corolário inevitável da atividade analítica, racional e especulativa da filosofia e da teologia; apenas a imaginação criativa reúne, como na arte e nos sonhos, elementos aparentemente irreconciliáveis da realidade.

Perplexidade

A condição de quem aspira ao conhecimento de Deus é a incessante perplexidade (hayra) suscitada por Suas facetas antitéticas — interior e exterior, primeiro e último, manifesto e oculto, cognoscível e incognoscível, presente e ausente.