MUNDOS

MORA, Fernando. Ibn ’Arabi: vida y enseñanzas del gran místico andalusí. 1. ed ed. Barcelona: Ed. Kairós, 2011.

Os Planos de Ser e Consciência na Doutrina Akbari

Os discípulos espirituais de Ibn Arabi — como Sadr al-Din al-Qunawi, Abd al-Razzaq al-Qashani e outros — elaboraram análises complexas que deram origem à estrutura conhecida como “cinco (ou seis) presenças”, expressão usada no sufismo para designar os diferentes planos de ser e consciência nos quais o cosmos visível e invisível se ordena.

O Sopro do Clementíssimo

Ibn Arabi concebe a criação do cosmos como um movimento de amor personificado pela passagem do Sopro do Clementíssimo pelos diversos pontos de articulação da existência, interação que origina a pluralidade dos mundos e seus habitantes.

Os Anjos Querúbicos e o Primeiro Intelecto

Os anjos querúbicos — tão arrebatados em sua ardente adoração que desconhecem sua própria existência e a do restante da criação — são a primeira e única coisa criada, sem qualquer intermediário, na Nuvem gerada pelo sopro divino.

O Princípio dos Corpos e das Formas

A matéria universal recebe as qualidades do espírito, da alma e da natureza e transforma-se no corpo universal — substância única da qual são compostos os corpos imaginais e materiais —, enquanto a forma permite distinguir as entidades umas das outras, sendo a esfera a primeira figura a emergir por ser, na opinião de Ibn Arabi, a mais perfeita das configurações.

O Mundo da Geração e da Corrupção

O mundo da geração e da corrupção — nome aristotélico para as esferas cósmicas situadas abaixo do céu das estrelas fixas — está imerso no tempo e, consequentemente, sujeito ao decaimento e à desintegração de tudo o que é composto.

Os Habitantes do Cosmos: Anjos, Djins e Seres Humanos

Anjos, djins e seres humanos são igualmente dotados de autoconsciência; os primeiros são criados da luz, os segundos do fogo, e os terceiros do barro — correspondendo ao sopro divino em sua dimensão espiritual.

Involução e Evolução

O Sopro do Clementíssimo estabelece uma gradação que, partindo do absolutamente indiferenciado, desce e se limita até alcançar o último dos seres criados — o que se conhece em outros contextos como a Grande Cadeia do Ser.

Tudo Vive

O cosmos e seus habitantes — animados ou aparentemente inanimados — são todos dotados, sem exceção, de vida e linguagem próprias; a seiva secreta da vida flui em todos os lugares, tornando impossível dividir o universo em seres vivos e não vivos.

Causalidade

Aplicar o termo “causa” a Deus constitui, para Ibn Arabi, um ato de descortesia espiritual, pois denota uma falta de lógica na ordem da manifestação; causa e efeito atuam no domínio relativo da criação, mas a realidade divina não é comparável a nenhum dos dois.

O Problema do Mal

O mal é definido, na perspectiva da filosofia antiga e medieval, como privação de existência — mera ausência do bem, assim como a ignorância é privação do conhecimento —, não constituindo uma qualidade ontológica positiva.