As almas se congregam em Deus segundo seu grau de intensidade — quanto mais intensa em perfeição, mais próxima de se unir à Inteligência —, e a alma pensante, tornada intelecto em ato, cessa de ser alma no sentido ordinário e se unifica ao intelecto agente, enquanto as almas deficientes, privadas do desejo contemplativo, decaem ao nível das almas animais.
Mollâ Sadrâ desenvolve essa tese desde o início do capítulo dois do Tratado da ressurreição, retomada na versão dos Asfâr
A alma pensante — nafs nâtiqa — é perfeita quando sua ipseidade passa do intelecto em potência ao intelecto em ato
A citação central enuncia: “as almas perfeitas se congregam em Deus, e é Ele o objeto de sua busca”
As almas pensantes deficientes podem desejar a perfeição inteligível sem alcançá-la, ou simplesmente não desejá-la
Essa ausência de desejo decorre do princípio de sua natureza fundamental — asl al-fitra — e as reduz ao nível das almas animais
O esquema reconhecido é aviceniano
A teoria do retorno funda-se na do movimento intra-substancial: o retorno completa uma moção que começa na origem da alma humana, quando sua natureza fundamental corresponde aos primeiros estágios de desenvolvimento do indivíduo
No começo, a alma está à beira do não-ser — pura potencialidade; de etapa em etapa, conquista o estado de perfeição que sua natureza fundamental lhe permite
Cada fitra possui um princípio que determina seu movimento futuro