O mundo dos corpos é um mundo de separação, de distanciamento e de impossível união — o espaço e o tempo são os testemunhos da estranheza —, e a “separabilidade” desse estado material anda de par com o esquecimento de si, o corpo sendo ignorante de si mesmo assim como a corporalidade é tenebrosa por ser estranheza e alienação.
O corpo se ausenta de si — ser em não relação consigo é ser outro que si
Os corpos são separados de sua “esfera fundamental” e estão em estado de amnésia em relação ao conjunto dos atos de presença (hodûrîya)
A extensão espacial ou temporal é a verdadeira tumba dos corpos — não se trata apenas de que sejam biologicamente mortais ou fisicamente destruíveis, mas que a extensão enquanto tal é uma tumba
No corpo eclode um conflito entre sua morte metafísica e sua existencialidade fundamental
Somente as almas são lugares de reminiscência — porque se movem sempre em si mesmas, em direção ao ponto central do inteligível, sem estar a distância de si mesmas
O corpo é o obstáculo à memória viva — é o inconsciente
A “rivalidade” — cujo termo árabe significa “ser múltiplos uns em relação aos outros” — é o oposto do espelho: na imagem refletida pelo espelho a realidade se reúne, enquanto a multiplicidade corporal em sua matéria é esquecida do modelo e rivaliza consigo mesma