CHOSROES NOUCHIRVÂN E A ANCIÃ.

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Chosroès Nouchirvân, aquele monarca justo, certa vez instalou-se em sua varanda, ao meio-dia. Ora, ele notou na varanda vizinha uma velha muito pobre e de aparência miserável, com as costas curvadas e segurando um jarro que, tanto quanto ela havia sofrido com o passar do tempo: não tinha bico, nem alça, nem fundo que lhe permitisse ficar em pé. Aquela mulher tentou usar de um artifício para derramar água sobre o rosto; enquanto se esforçava, o jarro caía e derramava toda a água no chão. Quando os olhos de Chosroès Nouchirvân viram isso, lágrimas de compaixão escorreram de suas pálpebras. Ele disse consigo mesmo: “Ai de mim! Que a ira dos homens e de Deus recaia sobre mim! Uma anciã viveu tão pobremente ao meu lado! Ela nem sequer tem à mão um jarro intacto para poder lavar o rosto. » Ele quis, antes de tudo, fazer-lhe chegar sua jarra de ouro, enviada por sua parte. Então, disse a si mesmo: “É melhor que ela não saiba que eu a vi assim: ela ficaria envergonhada. » Imediatamente, entre os indigentes da rua, mandou distribuir quarenta jarros de ouro; e a velha recebeu dele um deles, sem que ninguém pudesse adivinhar sua história. (Djâmi, Hekmat, p. 272.)