SHABESTARI, Maḥmūd ebn-e ´Abd al-Karīm Sa´d al-Dīn. La roseraie du mystère. Tr. Djamchid Mortazavi e Eva de Vitray-Meyerovitch. Paris: Sindbad, 1991.
Durante longos anos, os buscadores da Verdade insistiram comigo, Mohammad ibn Yahiâ ibn al-Jillanî al-Lahîjî al-Nurbakhshî, para que redigisse um comentário sobre *O Jardim das Rosas do Mistério*, escrito à luz dos místicos e dos sábios, o xeque perfeito, a estrela das nações e da religião, Mohammad al-Tabrizî al-Shabestarî, que Deus abençoe sua alma!
Não ousava iniciar este trabalho, consciente da minha falta de talento. Mas quando os pedidos dos meus irmãos na religião se intensificaram, fiz istikhara (Consulta ao Alcorão com o objetivo de ser guiado na solução de um problema e receber, para tal, a bênção divina) e implorei a Deus por inspiração. Por fim, recebi uma resposta à qual não pude deixar de obedecer. Comecei este comentário no ano 877 da Hégira.
Pus-me, então, à obra, mas, para tornar este comentário claro e simples, ao estudar cada versículo, utilizei a linguagem corrente da minha época; pois nosso objetivo não é nos valorizar, mas permitir que cada buscador da Verdade, de acordo com sua inteligência, compreenda o conteúdo do livro e estude os estados espirituais e as revelações da comunidade (dos sufis). Colocamos nossa esperança em Deus, desejando que esse tipo de estudo tenha o efeito de fortalecer no caminho os seres de coração puro, para que, pela purificação contínua de sua natureza, possam alcançar uma visão espiritual; atingir o sentido místico não é possível apenas pelo estudo dos livros. Não disse o poeta: “Aquele que não provou este cálice de vinho, como pode conhecer o seu sabor?”