O Doador das formas dotou cada um dos reinos naturais deste mundo — minerais, vegetais, animais e o homem — de uma forma que lhe convém, e cada um recebeu, em proporção a sua aptidão, uma das efusões da Alma universal e uma das luzes da primeira Inteligência.
A compacidade nos minerais, o crescimento nos vegetais, a sensibilidade e a motricidade nos animais, a razão discursiva e o discernimento no homem
Os gêneros são, em relação aos reinos naturais, os indivíduos, e em relação aos gêneros as espécies, e cada uma se distingue da outra por uma diferença específica
Os reinos naturais começam pela solidificação mineral, depois vem o vegetal, depois o animal e por fim o homem
O último grau dos minerais toca o primeiro grau dos vegetais; o último dos vegetais toca o primeiro dos animais; o último dos animais toca o primeiro do gênero humano; e o último do gênero humano toca o primeiro dos anjos
A hierarquia do ser encontrou seu cume, segundo Seu Imperativo, na perfeição do grau humano
O homem recebeu a aptidão para receber a perfeição que é a finalidade das causas inteligíveis e dos órgãos corporais que são os seus
Minerais, vegetais e animais precederam o homem na existência, mas o fim de todos foi ele, segundo o princípio: primeiro o pensamento — fekr —, depois a ação — 'amal — reminiscência aristotélica antes que johannina, que justificará a preeminência final do homem
A diferença entre as formas das categorias de criaturas decorre do decreto divino: o que está em potência nas almas particulares deve tornar-se atual pela mediação das esferas celestes e dos astros
As esferas são perpetuamente animadas de movimentos circulares rápidos, e é por isso que a diferença entre as oposições dos astros pôde produzir diferentes formas no seio dos reinos naturais