Embora o Imperativo divino — que Ele seja exaltado — seja uma efusão absoluta que difunde uniformemente seus raios sobre o conjunto dos dezoito mil mundos, sem fazer beneficiar de sua iluminação e de sua graça uns em detrimento de outros, cada existente exprime a operação divina em função do grau que lhe foi conferido no ser por Seu Imperativo e em proporção aos efeitos manifestados em sua essência por Sua operação.
A primeira Inteligência, tirando sua existência do Imperativo sem mediação e sendo una pela unidade, não percebe nem conhece o um e a unidade; exprime, em relação ao seu conhecimento e à sua percepção, apenas: “Do um não pode proceder senão o um” — em árabe: la yasduru 'an al-wahid ila'l-wahid
A Alma universal recebe a existência do Imperativo pela mediação da Inteligência e exerce seu poder de direção e regência sobre o Corpo graças à assistência da Inteligência
Segundo o ponto de vista que a Alma tem sobre a Inteligência, ela percebe o um e a unidade; segundo o ponto de vista que tem sobre o Corpo, ela percebe o múltiplo e a multiplicidade
Em função de sua percepção e de seu conhecimento, a Alma exprime que “nada procede do um senão o um e do múltiplo senão o múltiplo” — em árabe: la yasduru 'an al-wahid ila'l-wahid wa 'an al-kathir ila'l-kathir
O Corpo recebe a existência do Imperativo por múltiplas mediações; situando-se no múltiplo e na multiplicidade, percebendo e conhecendo apenas o múltiplo e a multiplicidade, exprime que “do um não pode proceder senão o múltiplo” — em árabe: la yasduru 'an al-wahid ila'l-kathir
Cada existente — inteligível, espiritual ou corporal — exprime sua procissão a partir dEle em relação ao seu tipo de percepção e de conhecimento, enquanto, em realidade, Ele é livre de tudo isso — az an monazzah
Quando se diz que algo pode proceder dEle, fala-se do ponto de vista da relação e de sua origem
Quando se diz que é impossível que algo proceda dEle, é do ponto de vista de Sua realidade fonceira e de Seu ponto de retorno
Quando se diz que de um ponto de vista é possível e de outro impossível, exprime-se a dualidade dos pontos de vista
Quando se diz que não é possível de nenhum ponto de vista, exprime-se a negação dessa dualidade