A alma vegetativa, a alma animal, a alma humana e o intelecto humano provêm de uma única e mesma origem, e sua aparente pluralidade é semelhante à de um viajante que avista de longe um fogo no cume de uma montanha e o toma por uma estrela, vendo-o progressivamente com maior clareza à medida que se aproxima.
A distância privada do efeito da proximidade deve ser aplicada à alma vegetativa
O momento em que o viajante ora se representa o fogo como estrela ora como fogo corresponde ao que deve ser aplicado à alma animal
A certeza plena de que é um fogo e não uma estrela corresponde ao que deve ser aplicado à alma humana
No cume da montanha, vendo pela claridade do fogo todos os aspectos da montanha com tudo o que nela se encontra, aplica-se ao intelecto humano essa proximidade sem nenhum efeito de distância — é por isso que se diz do intelecto que ele é a luz da alma humana
A realidade da alma humana é a unidade fonceira que se exprime na pluralidade dos graus crescentes de perfeição; mas essa expressão múltipla é um semblante, pois vela a unidade primeira, único real da alma
A claridade do fogo simboliza, a parte objecti, o Imperativo cuja claridade é insuportável à alma, que exprime contudo a iluminação
O docetismo de Tusi se desdobra aqui em uma topografia em que o geométrico é o Imperativo, centro da alma e centro do macrocosmo
Os quatro — alma vegetativa, alma animal, alma humana, intelecto humano — são como quatro ramos de uma única árvore, ou quatro correntes de uma única e mesma fonte, ou quatro chamas ardendo a partir de uma única mecha
A diferença entre eles reside na diferença que reina entre suas operações e seus movimentos, e a proximidade ou a distância são relação ao princípio da existência