ṬŌSĪ, Moḥamad ben Moḥamad Naṣīr al-Dīn; JAMBET, Christian. La convocation d’Alamût: somme de philosphie ismaélienne. Lagrasse Paris: Verdier Unesco, 1996.
A moral ismaelita de Nasir Tusi difere da shariat, pois o ismaelismo reformado de Alamute, ao suprimir as obrigações legais, liberou um vasto espaço para a reflexão sobre as atitudes morais.
Segundo a shariat, a obediência não é primeiramente um motivo ético, mas o próprio comportamento religioso.
Uma religião puramente espiritual não pode prescindir de normas e, se não as busca na Lei religiosa, não pode senão construir uma filosofia da existência, uma teoria dos costumes.
A shariat foi restablecida, na ordem da aparência, por volta de 1210 pelo Imã Hasan, neto de Hasan — mas a brecha aberta deixava o fiel diante de si mesmo, numa relação essencial com seu Imã.
Nasir Tusi insiste na preocupação permanente com o temor de Deus, pois cada ação de obediência procede de uma problematização nova do cuidado moral.
O pensamento que honra a Deus não é o simples cumprimento da Lei, mas efusão luminosa inteligível que configura o Anjo da alma ou, inversamente, o satã da alma.
O bom pensamento procede da alma — ou antes do intelecto que culmina no ápice da alma humana pensante — e torna a alma, em ato, um ser espiritual concreto.
O mau pensamento trabalha para configurar o satã da alma, seu rosto demoníaco.
A alma humana é concebida como membro da Alma universal — conjunto unificado dos ruhaniyat, os seres espirituais devotados a todos os viventes.