A hierarquia dos sentidos do jihad corresponde à gradação das almas, do grau mais baixo — o combate corporal — ao mais elevado — a divinização.
No grau mais baixo situa-se o jihad em sentido aparente: o combate exterior, que exige apenas forças físicas e é necessário mas inferior e corporal.
A prática dos fedayin está presa no mundo tenebroso do qual quer se elevar — contradição patética entre a exigência do modo de vida histórico e a aspiração ao horizonte meta-histórico da Ressurreição.
O ismaelismo renunciará à luta armada após a queda de Alamute — por fraqueza material, mas sobretudo em razão da fraqueza constitutiva de uma guerra corporal que se experimenta como o grau mais baixo do jihad.
O jihad espiritual é “o combate conduzido contra sua própria trevas pelo efeito de sua própria luz”; acima dele, o jihad intelectivo é “o combate conduzido contra o efeito de sua própria trevas por sua própria luz ela mesma”; e o jihad real é “o combate conduzido por Sua ipseidade necessária — que Ele seja exaltado — contra nosso próprio eu afligido de potencialidade e contra tudo o que não é Ele — que Ele seja exaltado — ou que pretenderia associar-se a Ele — que Ele seja exaltado.”
Esses quatro graus do jihad correspondem aos quatro modos de percepção e conhecimento do Imã: o conhecimento corporal, o saber espiritual, a penetração intelectiva e o conhecimento real — o da unidade do divino e do humano, o do Uno.
O último grau do jihad é dito real porque corresponde à revelação da realidade efetiva, à liberação, na alma, das efusões do Imperativo divino — a passagem da alma do estatuto de existente simplesmente possível ao de existente necessário: o jihad é divinização de si.