A comunidade ismaelita de Alamut manteve a doutrina da Ressurreição sob o Imame Muhammad até 1210, vivendo sem as obrigações da legislação corânica.
Substituição da lei por uma intensificação da moral espiritual e oração perpétua.
Conflito existencial entre o modo de vida da Ressurreição e as exigências da socialidade e sobrevivência material.
Percepção do mundo exterior como universo de aparência, ilusão e nada.
O retorno à religião legalitária em 1210, sob o Imame Hasan, marcou o início de um novo período de ocultação ou satr.
Decisão interpretada como lição original da experiência messiânica, não como reniement da Ressurreição.
Proclamação da ocultação pelo próprio Imame reinante em vez de um Hojjat.
O conceito de ocultação apresenta três significados distintos na doutrina ismaelita.
Primeiro sentido — ocultação própria ao ciclo da profecia, onde o ensinamento espiritual permanece velado pela lei.
Segundo sentido — períodos em que o Imame está escondido e protegido por um Imame aparente ou substituto — Imame mustawda’.
Terceiro sentido — proteção do Imame e de seu ensinamento por uma prova ou Hojjat — como no caso de Hasan-e Sabbah.
A lógica da ocultação na fase nizarita fundamenta-se no tratamento do mundo exterior como pura aparência e simulacro.
Utilização de signos e dissimulações — como a restauração da peregrinação e mesquitas — para proteger o segredo do Real.
Alternância necessária entre períodos de revelação e ocultação baseada na lógica do docetismo.
Resposta ismaelita à impossibilidade de uma instituição eclesial nos moldes cristãos.
Nasîr Tûsî viveu e produziu obras fundamentais durante este período de ocultação sob o imat de Muhammad, filho de Hasan.
A atribuição do Rawdat al-taslîm a Nasîr Tûsî divide opiniões entre autores ismaelitas e duodecimanos.
Perspectiva ismaelita — reconhecimento dos manuscritos e ausência de outro autor com densidade filosófica equivalente na época.
Perspectiva duodecimana — negação da autoria baseada na tese de adesão forçada e incompatibilidade de estilo com obras posteriores.
Necessidade de manter a atribuição devido à superioridade filosófica do tratado e às evidências documentais disponíveis.
A vida de Tûsî em Alamut parece ter sido marcada por um regime de vigilância e pela convivência com a liberdade absoluta do Imame.
Caracterização do Imame como epifania do Império divino, operando além dos critérios da moral humana.
Transgressão das leis e hostilidade à norma como signos messiânicos de liberdade imperativa.
Presença de traços de melancolia e mania de perseguição na biografia do Imame ’Ala al-Dîn Muhammad.
A melancolia do Imame é interpretada como consequência trágica da divinização e do isolamento ontológico.
Comparação com o caso messiânico de Sabbataï Zevi e psicose maníaco-depressiva.
Dimensão de grandeza trágica e sublime na experiência de Alamut.
Explicação para o sentimento de insegurança e a adesão atormentada de Nasîr Tûsî ao ismaelismo.
A
rendição de Alamut aos mongóis em 1256 contou com a participação decisiva de Nasîr Tûsî.
Após a queda de Bagdá, Tûsî exerceu influência política e científica, convertendo-se ao xiismo duodecimano.
Atuação como astrólogo da corte e civilizador dos invasores mongóis.
Fundação do observatório de Maragheh e sistematização da teologia racional duodecimana.
Legado de obras fundamentais — Tajrîd al-aqâ’id — até o falecimento em 1274.