CALASSO, Roberto. Il libro di tutti i libri (2019)
1. Saul surge na narrativa bíblica em busca de jumentas perdidas do pai, vagando com um servo por três dias através de Efraim, Salisa e Saalim até se ver desorientado em Zuf, onde, sem pão para oferecer, decidiu com o servo dar um siclo de prata encontrado por acaso a um vidente para que lhes indicasse o caminho, figura que outrora em Israel se chamava vidente e hoje se chama profeta.
2. Junto ao poço, lugar dos encontros fatais como os de Rebeca, Raquel e Deméter, um grupo de moças indicou aos forasteiros o vidente que estava prestes a subir à colina para abençoar o sacrifício, e Samuel, ao encontrar Saul na porta da cidade, apresentou-se, convidou-o ao banquete, anunciou-lhe que as jumentas haviam sido encontradas e reservou-lhe a melhor porção da carne sacrificial, porção que é moîra, destino, já preparado e à sua espera.
3. Para quem não sabe, e ninguém sabe, foram as jumentas perdidas que levaram ao encontro entre Saul e Samuel, pois sem elas o belo jovem, mais alto que todos e sem nenhuma vocação aparente, teria permanecido em casa, na menor tribo de Israel, em vez de se encontrar longe e perdido, pronto a pagar a quem o guiasse.
4. As jumentas perdidas foram o ardil de Iahweh para promover o encontro com Samuel, que as encontraria não se sabe como, e, sendo Iahweh também um alegorista, representavam o povo de Israel, que desejava um rei sem ser capaz de escolhê-lo se o vidente não o tivesse ungido com o óleo guardado num frasco.
5. Após o banquete e uma noite no terraço da casa de Samuel, este, ao amanhecer e a sós com Saul fora da cidade, derramou-lhe óleo sobre a cabeça declarando-o ungido por Iahweh como chefe de seu povo e predisse três acontecimentos, o primeiro dos quais, a notícia junto ao túmulo de Raquel de que as jumentas haviam sido encontradas e de que o pai já só se preocupava com o filho, logo se cumpriu.
6. As demais predições, sinais segundo Samuel, também se cumpriram, e Saul compreendeu a estratégia vencedora de agir aceitando o que se lhe oferecesse e o sentido da promessa de que seria transformado em outro homem.
7. Os que conheciam Saul não acreditavam vê-lo comportar-se como um nabi, dançando e falando ao ritmo de harpas e tamborins, espanto do qual nasceu o provérbio suavemente zombeteiro, ainda hoje repetido, que pergunta se também Saul está entre os profetas.
8. Terminada a profecia, Saul pareceu voltar a ser o rapaz de antes e, interrogado pelo tio, contou apenas que fora atrás das jumentas, que as procurara em vão e que Samuel lhe dissera que haviam sido encontradas, sem dizer nada a respeito do reino.
9. Só Samuel sabia que Saul era rei, e, convocando o povo em Mispá para revelá-lo, recordou-lhe que, ao pedir um rei, rejeitara Iahweh, que o salvava de todas as adversidades, e ordenou-lhe bruscamente que se apresentasse diante dele.
10. Por sorteio conforme a vontade de Iahweh foram escolhidos a tribo de Benjamim, a família de Matri e por fim Saul, que, ausente da fila, foi revelado por Iahweh escondido entre as bagagens e, ao surgir mais alto que todos, foi declarado por Samuel sem igual no povo e aclamado como primeiro rei de Israel.
11. Saul escondeu-se entre as bagagens, à maneira de Harpo Marx, paralisado pelo terror da eleição e do sorteio que afligiria seu povo mais que qualquer outro, sabendo que a escolha já se dera na unção secreta e que acaso e destino estavam prestes a fundir-se opressivamente em sua pessoa, de modo que nunca mais respiraria com a despreocupação de quando vagava sonhador e entediado atrás das jumentas do pai.
12. A eleição de Saul foi rápida como um sorteio, mas sua realeza carecia de fundamento, e por isso Samuel expôs ao povo o direito da realeza e o escreveu num livro depositado diante de Iahweh, passos hesitantes e inevitáveis que acabaram todos num livro.
13. Samuel, último dos juízes, protótipo de sacerdote e profeta antes dos profetas, nascido do voto de uma mulher estéril e consagrado antes de nascer, ouviu aos doze anos no templo a voz de Iahweh e por três vezes a tomou pela do sacerdote Eli, que enfim compreendeu e lhe ensinou a responder, e Iahweh anunciou-lhe a destruição da casa de Eli por culpa dos filhos, que roubavam as oferendas como bandidos e violavam ou seduziam as mulheres junto à Tenda do Encontro, destino que se cumpriu quando Eli, velho e pesado, ao saber da morte dos filhos na guerra contra os filisteus, caiu do assento e quebrou o pescoço.
14. Depois de ouvir Iahweh, Samuel dormiu profundamente até a manhã e, ao abrir como de costume as portas da Casa de Iahweh, temia apenas que o velho Eli lhe perguntasse o que Iahweh dissera.
15. Quando os anciãos pediram um rei, Samuel, consciente da corrupção de seus próprios filhos juízes e da lembrança dos filhos de Eli, desaprovou o pedido, pois sabia, por Iahweh, que o rei é alguém que toma mais do que dá e que o povo o queria para não ser mais governado por Iahweh, que no entanto aceitou abdicar de sua soberania, mandando antes expor o direito da realeza, segundo o qual o rei saqueia os súditos, toma filhas, campos e vinhas, advertência que o povo, encantado pela ilusão de ser como as outras nações e de ter um homem visível que o conduzisse e combatesse por ele, ouviu com impaciência.
16. Deu-se então algo irreversível na história de Israel e de suas relações com Iahweh, pois deixou de ser um povo sacerdotal guiado por juízes, sacrificadores e guardiões da Arca para tornar-se uma nação como as outras, com as vantagens, os riscos, os prazeres e as dores de um reino em que tudo converge para uma só pessoa, o soberano.
17. Velho e encanecido, Samuel, depois de verificar diante do povo sua integridade como juiz e de recordar rapidamente a saída do Egito e os benefícios de Iahweh, chegou ao ponto final de que pedir um rei fora um grande mal aos olhos de Iahweh, confirmado por chuva e trovão, de modo que a história de Israel passaria a contar-se por sucessão de reis, mas sempre com alguém a lembrar as palavras de Samuel, que considerou a realeza degradante apesar de tê-la instituído com as próprias mãos.
18. Para Samuel bastavam Iahweh, seu povo e alguns homens versados na lei e nos sacrifícios, sendo a realeza uma fraqueza própria dos outros povos, pensamento visível em seu rosto que perseguiria os reis de Israel como sombra corrosiva.
19. Diante da pergunta sobre o que fazer se tudo estava tão comprometido, Samuel assegurou que o povo não seria rejeitado se permanecesse fiel a Iahweh e não seguisse coisas vãs incapazes de salvar, palavra de salvação que reanimou a todos, que voltaram a aclamar o novo rei.
20. Iahweh exigia antes de tudo o desapego e a distinção de Israel em relação às outras nações, como Egito e Canaã, sulco a cavar o mais fundo possível apesar das inevitáveis recaídas, e por isso dar um rei a Israel era perturbador, pois significava conformar-se aos outros povos, degradação concedida a contragosto pelo sacerdote, embora fossem os sacerdotes a ungir o rei, como na Índia védica os brâmanes faziam o kṣatriya.
21. Em toda parte e em toda a história a realeza foi incentivada pelos deuses e considerada sagrada como vínculo necessário entre homens e deuses, mas não em Israel, onde Iahweh a aceitou com relutância e se arrependeu de ter feito Saul rei ainda durante seu reinado, fratura ora escancarada, ora quase invisível, que marcaria toda a história de Israel.
22. Sem relatos dos primeiros anos do reinado, a guerra com os filisteus começou quando Jônatas matou um chefe filisteu, encontrando Israel despreparado e escondido em cavernas e fossos, e Saul, após esperar em vão sete dias por Samuel enquanto seus homens desertavam, celebrou sozinho o holocausto para aplacar Iahweh antes da batalha.
23. Samuel apareceu logo em seguida e acusou Saul de agir como insensato e desobedecer a Iahweh, anunciando que seu reino não duraria, e partiu, confirmando que com Samuel nunca era possível entender-se, fizesse-se o que se fizesse.
24. No dia da batalha, quando só Saul e Jônatas tinham armas, Jônatas, sem avisar o pai, escalou com seu escudeiro um desfiladeiro rochoso e abateu vinte filisteus que zombavam dos judeus saídos de seus esconderijos, massacre que espalhou o pânico entre os inimigos e fez muitos judeus que haviam passado aos filisteus voltarem a combater ao lado de Saul e Jônatas.
25. Durante todo o reinado de Saul houve guerra com os filisteus, mas também com um inimigo mais próximo pelo parentesco, os amalecitas descendentes de Esaú, cuja agressão ao povo exausto na saída do Egito, abandonando os mais fracos e ameaçando apagar toda a caravana, Iahweh ordenara que jamais se esquecesse.
26. Samuel, memória de Israel, reapareceu para lembrar a Saul que era rei apenas por sua unção e ordenar, em nome de Iahweh, o herem contra Amalec, a destruição total de homens, mulheres, crianças, recém-nascidos e animais, sem poupar nem os jumentos.
27. Saul, após advertir os quenitas a afastar-se, derrotou os amalecitas e mandou passar todos ao fio da espada, mas poupou o rei Agag e os melhores animais, matando apenas os mais fracos, e decidiu com seus homens sacrificar a Iahweh o melhor do anátema, crendo agradá-lo, já que o resultado final seria igualmente a morte.
28. O erro de Saul, soldado e não teólogo ou metafísico, foi não perceber a enorme diferença entre o que Iahweh ordenara e o que ele planejava, e Samuel, surgindo durante o sacrifício diante de um Saul que se apressou a declarar ter cumprido a ordem, perguntou que barulho de animais era aquele que ouvia, levando Saul a admitir que alguns haviam sido poupados, embora o resto estivesse morto.
29. Irritado, Samuel recordou a Saul que fora um ninguém antes de ser feito rei por Iahweh e o interrogou sobre a desobediência, e, diante da desculpa típica dos reis de esconder-se atrás do povo, pronunciou as palavras que se cravariam como cunha na substância do tempo, de que a obediência vale mais que os holocaustos e a submissão mais que a gordura dos carneiros, declarando que, tendo Saul rejeitado a palavra de Iahweh, Iahweh o rejeitava como rei.
30. Saul confessou ter temido o povo e pediu perdão, mas Samuel, que não perdoava, voltou-lhe as costas, e quando Saul agarrou e rasgou seu manto declarou que naquele dia Iahweh rasgara de Saul a realeza de Israel, partindo sem palavra diante das súplicas do rei, que se prostrou diante de Iahweh.
31. Samuel mandou trazer Agag, que avançou mancando e declarou que a morte já não lhe causava amargura, e, após afirmar que a mãe dele seria privada do filho como sua espada privara outras mulheres dos seus, o velho sacerdote o despedaçou diante de Iahweh em Guilgal.
32. Samuel e Saul separaram-se definitivamente, um para Ramá e o outro para Gabaá, e Samuel nunca mais viu Saul até o fim de seus dias, chorando por ele porque Iahweh se arrependera de tê-lo feito rei.
33. O Deuteronômio ordena recordar o que Amalec fez a Israel, advertência sombria que ecoou pelos séculos, mas em parte alguma se manda recordar o que Israel fez a Amalec, que não foi pouco, já que nenhuma criatura viva foi poupada e seu rei teve o privilégio de ser despedaçado pelo sacerdote que ungira o primeiro rei de Israel.
34. As palavras decisivas contra o sacrifício, que romperam com todas as concepções anteriores, foram pronunciadas por Jesus citando Oseias, ao dizer que quem compreendesse que Deus quer misericórdia e não sacrifício jamais teria condenado os inocentes, introduzindo o radicalmente novo como pequeno acréscimo a uma citação e ousando pela primeira vez falar da inocência das vítimas e equiparar o sacrifício à condenação de inocentes, substituição da linguagem sacrificial pela linguagem jurídica de consequências incalculáveis e propagadas em círculos cada vez mais amplos.
35. A distância entre as palavras de Samuel, as de Oseias e as de Jesus é imensa, mas tanto Samuel, que prefere o anátema obediente ao sacrifício e recusa como vítimas os animais dos inimigos, quanto Jesus, que define o sacrifício como condenação incessante de inocentes, minam a ordem sacrificial a partir de direções opostas, a impiedade e a piedade, inseparáveis na própria prática do sacrifício, embora ambos continuem a usar sua linguagem e sua liturgia.
36. A decisão fatal dos Setenta de traduzir herem, “extermínio”, por anathema, “oferenda votiva”, teve repercussões que ainda se desdobram, multiplicando-se os equívocos quando anátema passou a significar maldição e excomunhão, distorções que, vistas em conjunto, formam o próprio espaço em que se jogou grande parte da história nascida das palavras de Atenas, de Jerusalém e de Alexandria, onde ambas se encontraram.
37. Traduzir herem por anátema é um erro, mas metafísico, que expõe um enigma talvez insolúvel, ao passo que as traduções modernas por proibição ou banimento são evasivas e enganosas, pois implicam exclusão e não morte, enquanto herem é a injunção de matar e exterminar completamente o que lhe foi destinado.
38. O anathema grego é o despojo de guerra preservado no templo, ou prêmio de atletas e veste de iniciados, ao passo que o herem é o despojo, de coisas ou pessoas, que deve ser destruído para não se tornar armadilha, já que o rito grego nunca implicou a destruição do objeto consagrado.
39. No herem a destruição completa é o único meio de evitar o perigo da imitação e da assimilação gradual, a mesma armadilha evocada na proibição de alianças com os habitantes da terra prometida.
40. A ameaça do herem, que parecia destinada ao inimigo mais próximo, foi estendida por Isaías a todas as nações e até ao Exército dos Céus, que apodreceria enquanto os céus se enrolariam como um rolo, para que nada restasse senão alguns animais selvagens sobre uma terra marcada pela linha do caos e pelo prumo do vazio.
41. Também Jeremias se lançou contra o Exército dos Céus, prevendo que no último dia os ossos dos reis, sacerdotes, falsos profetas e habitantes de Jerusalém seriam expostos ao Sol, à Lua e aos astros que haviam amado, servido e adorado, forçados a olhar o céu pela última vez antes de ficar insepultos e tornar-se estrume.
42. Os tells, montes de terra espalhados pelo Oriente Médio que às vezes guardam restos arqueológicos extraordinários, nasceram muitas vezes de escombros cobertos de areia e talvez alguns resultem do cumprimento do herem, que mandava queimar a cidade com todo o despojo para Iahweh e deixá-la para sempre como tell, sem que nada do anátema ficasse grudado à mão.
43. Tudo o que aconteceu a Saul decorreu de suas faltas, entre elas, além da desobediência contra Amalec, o recurso à necromante de Endor, pois, tendo expulsado necromantes e adivinhos como rei pio, ao ver-se ameaçado pelos filisteus e abandonado por Iahweh foi disfarçado consultar uma delas, que temeu uma armadilha mortal até que Saul jurou poupá-la e pediu que evocasse Samuel, revelando-se assim, já que só Saul vivia em tamanha sujeição a Samuel, cuja figura de velho envolto num manto logo apareceu.
44. O espectro de Samuel, tão brusco quanto em vida, repreendeu Saul por perturbá-lo e confirmou que, por não ter executado a ira de Iahweh contra Amalec, Iahweh se tornara seu inimigo, condenando-o irremediavelmente e sem perdão pelo recurso desesperado à necromante, à espera do dia em que sua cabeça seria exposta no templo de Dagon, e Saul, prostrado de medo e fraqueza, só aceitou comer depois que a necromante matou depressa um bezerro, partindo na mesma noite.
45. O espírito de Iahweh retirou-se de Saul e um espírito mau enviado por Iahweh passou a atormentá-lo, sendo sempre os espíritos de Iahweh que agiam, o que no entanto não absolvia os que estavam sob seu domínio.
46. A realeza foi para Saul um castigo, sob o peso da maldição de Samuel e do pressentimento de ser derrubado por Davi, o pastor ruivo de Belém, o único capaz de afugentar com a lira o espírito mau, a quem no entanto Saul tentou repetidamente matar, enviando-o contra os filisteus em troca da mão de Micol e atirando-lhe a lança enquanto tocava, embora o chamasse filho, até seu fim terrível, quando, com três filhos mortos no mesmo dia, se lançou sobre a própria espada, sendo decapitado pelos filisteus, que expuseram suas armas e cabeça nos templos e pregaram seu corpo nas muralhas, antes que os de Jabes o queimassem e enterrassem sob uma tamargueira.
47. Em outra versão Saul pediu a um amalecita fugitivo que o matasse, e este levou a Davi a coroa e o bracelete do rei como prova, como se Saul tivesse completado por procuração o herem destinando-se a si mesmo ao massacre e deixando sobreviver um amalecita para contar a história, que Davi matou por ter erguido a mão contra o ungido de Iahweh, embora fosse o próprio ungido a pedir-lhe isso.
48. Davi, ciente de que a missão contra os filisteus era uma sentença de morte, partiu sem demonstrá-lo e voltou apresentando a Saul, numa bandeja, duzentos prepúcios filisteus, o dobro do exigido, para mostrar seu amor por Micol, diante de um Saul sombrio e delirante que sonhara com a cabeça de Davi naquela bandeja e esperava que a mão dos filisteus o decapitasse como ele decapitara Golias.
49. Os eleitos nunca são simplesmente os que acumulam méritos, pois então o mundo seria uma longa e enfadonha lição moral, e a obsessão bíblica pela eleição gera uma poderosa tensão narrativa em que os eleitos fazem acontecer as histórias e avançar a história sem garantia de se comportarem bem ou de serem aliados, como Saul e Davi, ambos escolhidos, um tentando por muito tempo matar o outro e ao mesmo tempo irresistivelmente atraído por ele.
50. Desde o início Saul viu Davi como intruso, incapaz de situá-lo entre seus homens, que logo se dispuseram em círculos concêntricos em torno do jovem ruivo como numa corte, protegido por uma bainha invisível devida a Samuel, e percebia nele algo alarmante que ninguém ousava mencionar, o fato de Davi não ser um homem só, mas já um clã.
51. Davi também amou Saul, que tentou matá-lo, e seu filho Jônatas, que o amava como a si mesmo, e quando ambos morreram no mesmo dia compôs um lamento fúnebre que se tornou um dos primeiros textos poéticos hebraicos, chamando-os amados e inseparáveis na vida e na morte, mas dizendo apenas de Jônatas que seu amor lhe fora mais maravilhoso que o amor das mulheres.
52. Entre Davi e Saul e entre seus filhos nunca ficou claro se prevalecia o amor ou o ódio, e, muito depois da morte de Saul e logo após sobreviver à usurpação de Absalão, Davi, para ganhar a aliança dos gabaonitas que ainda queriam vingar-se de Saul, entregou-lhes sete filhos dele, que foram enforcados no monte diante de Iahweh.
53. Ao saber que Rispa, concubina de Saul e mãe de dois dos enforcados, cobrira os cadáveres para protegê-los dos abutres e das feras noturnas, Davi mandou reunir seus ossos aos de Saul e de Jônatas e os levou pessoalmente à terra de Benjamim para depositá-los no túmulo de Quis, o pai que um dia enviara o filho em busca das jumentas perdidas.