O dualismo gnóstico é de origem judaica e se explica pela angústia do povo judeu causada pela queda do Templo em 70. Trata-se, de preferência, de uma teoria sócio-psicológica, lançada R.M.Grant e acolhida por numerosos estudiosos (o qual Jean
Daniélou é sem dúvida o primeiro). É necessário convir que Grant não forneceu provas textuais para o apoio dessa hipótese e que se faz aderir, também, à posição dominante (aquela da “religionsgeschichtliche Schule”), que procura a origem de todo dualismo no Irã. Mas, a objeção a mais séria a esta teoria concerne o caráter anti-judaico das especulações sobre o demiurgo gnóstico. Segundo Hans Jonas, a ideia da origem judaica do dualismo gnóstico não é compatível com o caso do « antissemitismo agudo » que o dualismo representa. É porque Hans Jonas, ele próprio, propõe outra explicação do fenômeno: