Demonização do Cosmos e Dualismo Gnóstico (ICEE)

PSYCHANODIA

A mudança que ocorreu, durante o helenismo e a época romana, nas perspectivas cosmológicas, antropológicas e escatológicas do período clássico, foi objeto de pesquisas de estudiosos de renome, como M. P. Nilsson, W. Nestle e E. R. Dodds. O novo Zeitgeist inclui a transcendência radical da divindade, a multiplicação de sistemas de intermediários entre ela e o mundo, o tema quase unitário da escatologia celestial.

A partir do século I d.C., a escatologia celestial combina-se com a “demonização” do cosmos³, que encontra sua expressão triunfante nos diferentes sistemas gnósticos, pertencentes ao tipo “sírio-egípcio” (setiano) ou ao tipo “iraniano”⁴.

Entre os primeiros testemunhos que atestam, no século V a.C., a propagação das ideias sobre as relações entre as almas e os astros e aqueles que, no século I d.C., nos informam sobre o caráter demoníaco atribuído às esferas astrais, é preciso colocar (entre os séculos IV e XI a.C.) o surgimento de uma representação intermediária: o inferno celestial.

Devido à amplitude dos materiais em questão, esses três problemas exigem, cada um, uma discussão separada, sem esquecer, no entanto, sua sequência natural — histórica e fenomenológica. O inferno celestial e, em seguida, o que chamamos de “demonização do cosmos”, só são possíveis pela escatologia celestial; da mesma forma, a representação de um inferno astral, embora não explique totalmente a demonização do cosmos, constitui, no entanto, um elo intermediário importante entre o primeiro e o último membro de nossa série de fenômenos.