A hipótese de uma origem judaica para o dualismo gnóstico, proposta por estudiosos do século XIX a partir de H. Graetz, é reavaliada a partir da distinção fundamental entre diteísmo e dualismo, mostrando-se insustentável em sua formulação original.
Graetz e seus sucessores, incluindo contemporâneos, incorreram na confusão entre diteísmo e dualismo.
Certas doutrinas judaicas não ortodoxas veiculavam a ideia de uma divindade secundária, geralmente um anjo do Senhor subordinado e sem intenções malignas, responsável pela criação do mundo.
O diteísmo judaico, rejeitado pelos rabinos e anteriormente discutido por Fílon de Alexandria, postula duas divindades sem qualquer antagonismo ou concorrência entre elas, diferindo do dualismo, seja ele radical ou mitigado.
Apesar da incompatibilidade fundamental, a ideia de um anjo criador do mundo presente no diteísmo judaico encontra paralelo em sistemas gnósticos, o que sugere a possibilidade de uma transformação dessa noção em dualismo por meio de uma inversão negativa do anjo criador, condicionada por um clima ideológico propício.