Aos demônios se substituiu ou se associou frequentemente os mensageiros ou anjos — angeloi — dos cultos perso-sírios, e a concepção que os gregos faziam deles antes de Alexandre foi modificada na época helenística, quando se serviu de seu nome para traduzir os termos malakh, dos cultos semíticos, e yazata do mazdaísmo.
A influência judaica sobre o desenvolvimento da angelologia foi frequentemente posta em evidência, mas menos bem se reconheceu a parte que teve a religião dos Magos na formação desse sincretismo — Clemente de Alexandria, Stromata, III, 6, 48: “Os Magos cultuam tanto os anjos quanto os demônios”
As designações de “anjos” e “demônios” foram por muito tempo consideradas como sinônimas, e o caráter dessas duas classes de criaturas mais poderosas que o homem era de fato semelhante; como os demônios, os anjos podem ser bons ou maus, aéreos ou ctônicos
Já na Grécia antiga esse qualificativo se aplicava de preferência a deuses como Hermes ou Hécate, que tinham alguma relação com o Hades — Dibelius, Die Geisterwelt im Glauben des Paulus, 1907
Quando a noção do Inferno se orientalizou, os anjos se tornaram naturalmente os asseclas de Ahriman ou, entre os judeus, de Satã — Mateus, XXV, 41: “Para o Diabo e seus anjos”; cf. Barnabé, Epístola, 18; Tertuliano, De spectaculis, 8
Concebidos como perniciosos assim como os dévas do dualismo iraniano, foram encarregados de infligir aos condenados as penas que eles deviam sofrer — Apocalipse de Pedro, 21, 23; cf. Dieterich, Nekyia, p. 60 e seguintes; Henoc, LIII, 3; XX, 3
Sob a influência dos Oráculos Caldaicos, esses anjos, criação complexa do sincretismo oriental, foram mesmo, ao fim da Antiguidade, introduzidos na filosofia platônica, onde intervêm como um elemento de suas especulações teológicas, ocupando um lugar inferior ao dos arcanjos e superior ao dos demônios — Proclus, In Rempublicam, I, p. 91, 21 Kroll; II, p. 255, 21; cf. Kroll, De Orac. Chaldaicis, 1894, pp. 44, 53, 60