No Avesta, Mithra é o gênio da luz celeste — ele aparece antes do nascer do sol nos cimos rochosos das montanhas, percorre durante o dia sobre seu carro puxado por quatro cavalos brancos os espaços do firmamento, e quando a noite cai ilumina ainda a superfície da terra, “sempre vigilante”.
Ele não é nem o sol, nem a lua, nem as estrelas, mas com o auxílio de “mil ouvidos e dez mil olhos” vigia o mundo; onisciente, ninguém pode enganá-lo
Por uma transição natural, tornou-se ao nível moral o deus da verdade e da lealdade, aquele que se invoca nos juramentos, que garante os contratos e pune os perjuros
Mithra é “o senhor das vastas campanhas”, que ele torna produtivas: “ele dá o crescimento, ele dá a abundância, ele dá os rebanhos, ele dá a progenitura e a vida”
É o amigo benéfico que concede, com a prosperidade, a paz da consciência, a sabedoria e a glória, e faz reinar a concórdia entre seus fiéis
Os dévas que habitam as trevas propagam sobre a terra, com a esterilidade e os sofrimentos, todos os vícios e todas as impurezas; Mithra “velando sem sono, protege a criação de Mazda” contra suas empresas