Numa civilização científica, a ideia de Verdade evoca imediatamente as de objetividade, comunicabilidade e unidade, definindo-se em dois níveis — conformidade a princípios lógicos e conformidade ao real —, de modo que se torna inseparável das noções de demonstração, verificação e experimento.
A verdade aparece ao senso comum como categoria sempre existente, imutável e relativamente simples, mas tal aparência é enganosa
O experimento, fundamento da imagem moderna do verdadeiro, só se tornou exigência numa sociedade em que era técnica tradicional e em que a química e a física conquistaram papel de importância primária
Coloca-se a questão de saber se a verdade, enquanto categoria mental, não é solidária a todo um sistema de pensamento, à vida material e à vida social
Os indo-iranianos possuem um termo traduzido comumente como verdade — Rta —, que abrange também a oração litúrgica, a potência que assegura o retorno da aurora, a ordem estabelecida pelo culto dos deuses e o direito, conjunto de valores que faz explodir a imagem habitual da verdade
A Grécia impõe-se à atenção por dois motivos conectados: a estreita relação entre o pensamento grego e a razão ocidental, e o papel central que uma certa imagem da Verdade ocupa no tipo de razão elaborado a partir do século VI
Parmênides, Platão e Aristóteles são continuamente invocados, confrontados e discutidos na reflexão contemporânea sobre o Verdadeiro
Quando a reflexão filosófica se liberta do terreno do pensamento mítico que ainda dominava a cosmologia dos Jônios e enfrenta deliberadamente seus problemas próprios, organiza seu campo conceitual em torno de uma noção central — Aletheia ou a Verdade —, que passa a definir um aspecto da primeira filosofia como tipo de pensamento e do primeiro filósofo como tipo de homem