O orfismo, ao contrário de uma “Igreja” ou seita secreta, caracteriza-se como um movimento popular que atraía as elites, comportando iniciações e dispondo de uma vasta literatura, o que o aproxima mais de movimentos como o tantrismo indiano e o neotaoismo.
-
Os órficos podem ser vistos como sucessores de grupos iniciatórios arcaicos (Cabiras, Curetes, etc.), que guardavam “segredos de ofício” ligados à metalurgia e cura, os quais foram substituídos pelos “segredos” sobre o destino da alma após a morte.
-
Apesar do declínio do prestígio do orfismo após as guerras médicas, suas ideias centrais, como o dualismo e a imortalidade da alma, persistiram no pensamento grego por meio de Platão e em nível popular, influenciando as religiões de Mistérios e renovando-se com os neoplatônicos.
A figura de Orfeu transcendeu o movimento órfico, sendo continuamente reinterpretada por teólogos judeus e cristãos, hermetistas, filósofos renascentistas e poetas modernos, consolidando-se como uma das raras figuras míticas gregas preservadas pela Europa através dos séculos.