Antoine Faivre, outro dos trinta fundadores, fala explicitamente do enfoque especial de Eliade sobre a iniciação, observando que, para Eliade, a erudição é o “batismo através do Intelecto” e que, com ele e outros estudiosos da filosofia perene, o estudo universitário torna-se um auxiliar indispensável da Tradição.
As relações entre Faivre e Eliade eram recíprocas, como demonstra a resenha de Eliade sobre uma edição de Faivre, na qual conclui que tais contribuições ilustram a importância cultural de desvendar a “história secreta” da era pós-iluminismo, e uma vez compreendidos os comprometimentos não manifestos de Eliade com essa história secreta, aspectos de seu projeto do “Novo Humanismo” tornam-se mais claros.
Em uma resenha da antologia de Gershom Scholem sobre a Cabala, Eliade interpreta a Cabala como “Cristianismo cósmico” e conclui com uma referência a Pico della Mirandola, que buscava decifrar a Magia et Caballa, comentário que remete à eterna fascinação de Eliade pela Cabala Cristã, sobre a qual discursou entusiasticamente aos vinte anos, referindo-se a esses estudos como a origem do ímpeto para sua estada na Índia.
Em entrevistas de 1978 e na última entrevista antes de sua morte em 1986, Eliade reiterou sua excitação com a ideia da Cabala Cristã e expressou o desejo de acrescentar algo ao entendimento da cultura ocidental, seguindo o exemplo de Pico della Mirandola, que aprendeu hebraico e estudou a Cabala, mas indo além, sem parar na Cabala e em Zaratustra.