Os personagens que intervêm ativamente nos mitos cerameses são “homens adiados”: só virtualmente humanos, pois no fim se submeterão à morte e à reprodução, convertendo-se em homens plenos por meio de um “deicídio” coletivo.
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A ausência de palavra para “deuses” levou missionários à ilusória conclusão de que existiam povos sem religião alguma.
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O padre Joseph Goetz, professor de História das Religiões, designou essa religião — irreligiosa do ponto de vista teístico — pela palavra “cosmobiologia”.
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O nascimento das plantas tuberosas comestíveis dos membros espalhados de Hainuwele significa que o deicídio primordial deu lugar à existência do mundo, tornando supérfluo o ato criador de Duniai.
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Nas altas civilizações mesopotâmicas, afirma-se expressamente que o mundo nasceu de um deicídio — o despedaçamento do cadáver da deusa Tiamat por Marduk, assistido por outros deuses.
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Em Ceram, Nova Guiné, América do Sul e outros lugares, fala-se de entes humano-divinos — divindades-dema, segundo Jensen — cuja morte outrora perpetrada deu origem a coisas valiosas que existem no mundo desde então, subsistindo agora apenas na e pela existência dessas coisas.
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Numa etapa posterior, o mundo inteiro, composto de Céu e Terra, vive da morte de um Deus, mas os deuses continuam existindo no mundo assim originado, influindo na vida dos homens e dos entes naturais.
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Não é fácil reconhecer uma religião onde se trata apenas do cultivo da mandioca, do coqueiro, do arroz, do milho, do trigo ou de outros frutos comestíveis, e de danças prolongadas e aparentemente desordenadas cuja intenção se ignorava inteiramente.