HERMAI

GORDON, Pierre. Le Mythe d’Hermes. Paris: Arma Artis, 1984.

Papel dos hermai — Culto que lhes era prestado


Os hermhermai e os outros hermai

O mana contido nos hermai não se diferenciava sempre, ademais, dessa divindade especial que os gregos chamavam Hermes. Muito frequentemente ele se hipostasiava em outras entidades. Deu-se o nome de Hermermès aos hermai que permaneciam Hermes. Os outros tornavam-se, conforme o caso, Hermeros, Hermopan, Hermares, Hermhéraklès, Hermathena, Hermozeus, Hermapollon, Hermoposeidon, etc. Mais tarde, por fusão com uma das grandes personalidades iniciáticas do Egito, formou-se Hermanubis. Nada poderia estabelecer melhor que as distinções politeístas da época clássica eram extremamente superficiais. O que contava verdadeiramente era o sagrado subjacente, infundido nos seres e nos objetos da natureza, alguns milênios antes, pelo rito de morte e de ressurreição. Todos os deuses procediam dos ritos iniciáticos do neolítico e eram, em seu fundamento, intercambiáveis, sendo sua essência sempre, em todos os casos, a energia dinâmica una e imortal, suporte dos mecanismos físicos.

Convém, além disso, observar que um muito grande número de hermai, qualquer que fosse o nome pelo qual fossem designados, permaneciam invariavelmente duplos: ao final, consistiam em dois seres unidos pela nuca. Assim persistiu até o fim, mesmo quando já não se compreendia mais o sentido disso, e quando os personagens acoplados já não eram mais personalidades transcendentes, mas simples mortais que se pretendia honrar, essa imponente concepção da unidade-dualidade, propagada pela segunda teocracia em ligação com as disciplinas primordiais.