Trata-se de um cenário ritual tardio, substituído às cerimônias iniciáticas anteriores, onde cada detalhe constitui um elemento dramático e nada é inventado.
Susanô desempenha o papel do personagem sagrado tormentador, que assusta os neófitos e os empurra para o mundo subterrâneo.
O retiro na caverna é o período de reclusão iniciática, correspondente à catábase.
Os apelos, gritos, danças e indecências são o prolongamento das festas que marcavam o fim do período probatório e acompanhavam as iniciações sexuais.
O fogo aceso diante da gruta é a continuação do fogo novo, cuja produção constituía um dos ritos mais solenes.
O riso dos deuses continua o riso litúrgico que coroava a iniciação, mostrando o iniciado admitido a compartilhar a alegria divina.
O traje grotesco de Uzume lembra que, nas iniciações, os rapazes se disfarçavam de moças e vice-versa, para exprimir a força regeneradora dos ritos.
O espelho atesta que o fogo novo era obtido por concentração dos raios luminosos.
O recurso ao deus da força para tirar Amaterasu da gruta é a sobrevivência de um antigo rito de captura ou luta.
A expulsão de Susanô responde à do personagem sagrado tornado personagem emissário.
O caráter iniciático de Susanô revela-se porque, como Apolo ou Héracles, mata um dragão, o que resulta na posse de um objeto sacrossanto.
Como Perseu, Susanô arranca ao dragão uma virgem com quem se casa.