O capítulo final dos Juízes pode ser mais bem compreendido conhecendo a estrutura provável da confederação israelita arcaica, na época dos patriarcas.
As doze tribos então existentes descendiam dos doze filhos de Jacó (Gênesis, capítulos 29-30, 32, 35-36, 46), faltando José.
A tribo de Levi, dispersa, era sacerdotal, sagrada aos ritos, sendo o levita um auxiliar do sacerdote (mas nem sempre).
A circuncisão, grande rito iniciático, praticava-se na idade da puberdade (Ismael foi circuncidado aos 13 anos), como coroamento de um período probatório.
Os israelitas, ainda pouco numerosos, viviam em estreito contato, possuindo um lugar santo comum onde os sacrifícios e ritos ocorriam.
Da solenidade iniciática, pedaços de carne arrancados da vítima eram levados para cada tribo a fim de santificar seu território.
A tribo de Benjamim, como indica a etimologia de seu nome, habitava ao sul (à direita, quando se olha para o leste).
Do foco central, a energia divina irradiava para as outras nove tribos (três a leste, três ao norte, três a oeste).
Os benjamitas, detentores de uma iniciação especial, provavelmente formavam uma confraria que presidia às cerimônias e desempenhava o papel de personagens sagrados.
A organização duodécada deve ter existido entre os hebreus em sua forma completa em uma época alta, após sua constituição por Jacó, nos confins do primeiro e segundo quarto do segundo milênio.
Só ela explica os ritos mais antigos sugeridos no final dos Juízes, ritos que nunca poderiam ter se estabelecido em Israel após as reformas de Moisés.