A exogamia não foi de modo algum o ponto de partida das prostituições sagradas, mas, nas tribos onde ela existia, regulou certas modalidades dessas prostituições quando elas nasceram em virtude de outra causa — é por exemplo em razão de uma regra exogâmica antiga que a prostituição devia por vezes obrigatoriamente se exercer em relação a um estrangeiro.
A exogamia é a obrigação de se casar fora do clã; a endogamia é a regra contrária
A exogamia consiste antes de tudo na interdição de desposar uma pessoa de mesmo nome que si mesmo — o nome, para a mentalidade ontológica, se identifica à essência de um ser, e desposar uma pessoa de mesmo nome é uma união contra a natureza, uma impossibilidade absoluta, pois os dois cônjuges, possuindo a mesma substância, são um único e mesmo ser
Enquanto os indivíduos pertencentes ao mesmo clã portavam o mesmo nome principal, a exogamia foi obrigatória; em certos países, o casamento é ou foi proibido a dois indivíduos de mesmo nome, ainda que provenientes de povos totalmente diferentes
O que importa considerar são os princípios que regem a atribuição dos nomes — essa observação é de natureza a esclarecer um dos problemas mais obscuros e mais complexos da etnografia; Andrew Lang já havia assinalado a importância desse ponto
R. S. Rattray, em Ashanti Law and Constitution, Oxford 1929, p. 304, escreve que o incesto tem, na língua dos Ashantis, um sentido muito mais extenso do que em nossa língua — o termo se aplicava às relações sexuais com quem quer que pertencesse ao mesmo sangue, ao mesmo clã, por mais longínquo que fosse o parentesco, e mesmo nos casos em que não seria possível estabelecer uma descendência comum; o fato de portar o mesmo nome de clã era considerado como a prova decisiva da existência de uma ancestral comum
Nas regras exogâmicas não era o parentesco natural que contava por si mesmo — era o parentesco ontológico, místico, iniciático, estabelecido pelo nome identificado à essência mais íntima dos seres; o parentesco natural só intervinha na medida em que coincidia com o outro
Os Árabes empregam a palavra bâtil — falso — para designar um casamento proibido, o mesmo termo que para uma moeda ruim — o incesto constitui antes de tudo um casamento sem valor, inexistente enquanto casamento