A filha de Jefté, ou melhor, a personalidade cujo lugar ela ocupou, tornou-se para os hebreus de Gileade o que Coré, filha de Deméter, foi para os gregos.
Ela sofreu uma catábase (desaparecimento, descida aos infernos) e depois uma anábase (subida, ressurreição), ou seja, uma morte iniciática seguida de um nascimento para a imortalidade.
Não é surpreendente saber, por Epifânio, que ela era honrada na Palestina, em Siquém, sob o nome de Coré, o equivalente de Perséfone.
Adolphe Lods cita esse trecho e acrescenta que uma estátua dessa deusa, segurando uma tocha funerária e espigas, foi encontrada em Samaria, junto a um altar erguido em sua honra.
Lamentava-se anualmente pela filha de Jefté como em outros lugares pela filha de Deméter.
Provavelmente era ela que as mulheres de Judá haviam chorado em tempos antigos, antes de suas descendentes gemerem sobre a sorte de Tamuz.
Essa jovem virgem não sofreu influência de Coré, com quem só foi assimilada na época helenística: nasceu de forma independente, mas teve por matriz ritos idênticos.
Embora aparentemente um decalque de Adônis, Átis e Osíris, não lhes devia nada; assemelhava-se a eles por ter a mesma proveniência iniciática.
As festas terminais em que era honrada estendiam-se por três dias (mais um quarto, em que se ia em cortejo ao recinto sagrado).
O número três era universalmente admitido para exprimir a duração da estada iniciática nos Infernos.
Jesus Cristo, que veio não para destruir, mas para completar e precisar o ritual iniciático primordial, dando-lhe seu sentido autêntico e fazendo dele uma plenitude de realidade, não rompeu com essa regra.