O caráter sagrado atribuído à defloração da mulher constitui o fator primordial das práticas aberrantes registradas na história e na etnografia.
Constituição da ruptura do hímen e da efusão sanguínea acompanhante como um verdadeiro sacramento.
Reconhecimento da defloração como o sacramento essencial no período neolítico para a revelação do mundo do mana e a divinização humana.
Distinção original entre o domínio do sagrado e ritos puramente mágicos, agrários ou de imoralidade profana.
A presença do sagrado manifestava-se desde o início na defloração e nas uniões hierogâmicas posteriores que renovavam o sacramento inicial.
Culminação das cerimônias iniciáticas que simbolizavam a morte para a existência anterior e o renascimento em uma nova personalidade.
Modelagem do indivíduo a partir da figura de um ancestral sobre-humano ou sobre-humana.
Necessidade de considerar os ritos sexuais em conexão com a liturgia transformante para apreender seu alcance místico e filosófico.
Interpretação de uniões tidas como licenciosas em festas ou com personagens sagrados como instrumentos de restauração da Graça.
Analogia com o processo de renovação da iniciação fundamental na primeira comunhão cristã católica durante a Páscoa.
O elevado valor religioso da defloração revela-se nas modalidades anômalas praticadas sob a influência de sociedades matriarcais.
A síntese sistemática dos fatos estudados introduz termos novos no vocabulário etnológico para fixar as nuances das práticas observadas.
O muliérismo define-se pelo recurso a mulheres mais velhas ou à própria mãe para a realização da defloração da virgem.
Exercício das funções sacerdotais e de iniciação pela mãe como chefe da família em tribos específicas.
Probabilidade de que a defloração por uma mulher tenha sido um rito amplamente difundido nas proximidades do neolítico.
Identificação das encarnações terrestres da Mãe Divina sob nomes como Mâ, Mama, Maïa, Baba, Nanna, Anna, Ninni.
Iniciação de rapazes através da união sexual na caverna sagrada e de moças pela ruptura do hímen.
A afirmação do princípio masculino e dos deuses da Grande Montanha nas sociedades matriarcais restringiu progressivamente o domínio do muliérismo.
Conexão das práticas lésbicas representadas em esculturas de templos hindus com as antigas iniciações femininas.
Relacionamento da sodomia com os ritos de iniciação dos rapazes.
Degradação dos usos neolíticos que resultou na institucionalização religiosa de vícios contra a natureza.
Menção ao estudo L'Initiation sexuelle et l'Evolution religieuse para o aprofundamento do tema.
O centaurismo caracteriza-se pelo uso de personagens sagrados vestidos com peles de animais divinizantes para deflorar as virgens.
Possibilidade de escolha de figuras como homens-lobos, homens-carneiros, homens-bodes ou satyres, homens-águias, homens-serpentes e homens-leões.
Inclusão do Minotauro na categoria de homens-touros aptos para o rito.
Notoriedade universal dos centauros pela intervenção em cerimônias nupciais e pelo direito tradicional sobre as jovens.
Capacidade dessas personalidades humano-animais de sacralizarem as noivas durante o matrimônio.
Os grupos matriarcais podem ter empregado inicialmente procedimentos artificiais de defloração que imitavam os métodos das representantes da Mãe Divina.
A defloração por vias normais era cumprida como parte de ritos iniciáticos por detentores de mana sobrenatural que divinizavam a neófita.
Enquadramento de membros de sociedades secretas e confrarias de máscaras no conceito de centaurismo.
Evidência de tipos humano-animais em sinetes da Caldeia suméria, da Susiana ou de Mohenjo-daro que remontam ao neolítico.
A materialização do centaurismo levou à crença no valor divinizante do acasalamento com animais tidos como sagrados.
Discussão sobre hierogâmias bestiais na obra L'Initiation sexuelle et l'Evolution religieuse.
Obrigação de comércio sexual de jovens iniciados com animais vivos ou com o primeiro animal caçado em tribos totemistas.
Continuidade da união sexual feminina com animais vivos em diversas culturas.
Notoriedade do sacrifício védico do cavalo ou açvamedha para a união da mulher com o animal morto.
Origem da prática na sucessão de um acasalamento com personagem sagrado revestido de despojo ritual de equídeo.
A hierodulia moderna exige que a jovem permaneça em um santuário ou com figura sagrada para ser santificada antes do casamento.
Degradação da antiga reclusão iniciática nessas formas de retiro sexual.
Vínculo estreito entre a prostituição sagrada profissional, a prostituição temporária pré-nupcial e o primanoxismo.
Definição do primanoxismo como prostituição breve de uma ou três noites.
O adiamento da idade nupcial converteu a reclusão iniciática em prostituição sagrada de longa duração para elites de linhagem nobre.
Presença de exemplos atuais na África e na Índia que conduzem à hierodulia plena.
Identificação das mulheres Kosi como esposas do deus entre povos de dialeto Ewe e Tshi.
Relato de Ellis sobre instituições em cada cidade para o recebimento de moças entre dez e doze anos.
Permanência trienal para aprendizado de ritos e prática de prostituição com sacerdotes e iniciados masculinos.
“No final de seu noviciado, elas se tornam prostitutas públicas”.
Aceitação social da condição como isenta de vergonha por serem consideradas casadas com a divindade.
Atribuição da direção e dos excessos do comportamento ao próprio deus.
Teoria da limitação do libertinagem aos adoradores masculinos no templo contra a prática indiscriminada.
Pertencimento de todas as crianças nascidas dessas uniões ao domínio divino.
Caracterização da prostituição sagrada como prolongamento das antigas iniciações da adolescência para uma elite.
A prostituição profana deriva da sacralização do homem pela prostituta sagrada e distingue-se da hierodulia propriamente dita.
Registro de Ellis sobre a liberdade das prêtresses Tshi da Costa do Ouro em satisfazer paixões com qualquer homem.
Obediência obrigatória do homem escolhido por temor à cólera da divindade servida pela sacerdotisa.
Apresentação do homem em grandes ocasiões seguido pelos servos da sacerdotisa após o período de convivência.
“Sua vida é uma sucessão ininterrupta de devassidão e sensualidade”.
Ocorrência de excessos selvagens durante a excitação provocada pela dança.
A oferta da virgindade masculina em santuários a mulheres santas era uma regra de santificação anterior ao casamento em certas regiões.
Prática estabelecida no antigo santuário de Tombelaine, o atual Mont-Saint-Michel.
Fama das ilhas de mulheres para a santificação de homens, exemplificada pelas aventuras de Ulisses com Circe e Calipso.
A iniciação-prostituição pré-natal manifesta-se no voto materno de consagração da futura filha ao serviço da Pagoda na Índia.
O deslocamento do momento iniciático da maturidade para a infância e o nascimento constitui um fenômeno generalizado em diversas culturas.
A prostituição de duração reduzida realizada imediatamente antes do matrimônio deu origem ao primanoxismo e seus derivados.
A prostituição posterior ao casamento surgiu como uma forma de renovar ou substituir o sacramento sexual não realizado.
Obrigação de toda mulher em Babilônia se prostituir uma vez no templo de Mylitta, segundo Heródoto.
Necessidade de estabelecer contato com o universo divino através da prostituição sanctificante antes da morte.
Manutenção da união sexual como substância da liturgia religiosa apesar da ruptura com o princípio da defloração-sacramento.
Sir James Frazer interpreta o comportamento das mulheres nos templos como uma imitação da deusa da fecundidade para assegurar a fertilidade universal.
“No curso de suas relações luxuriosas nos temples, as mulheres… imitèrem a conduta licenciosa da grande deusa da fecundidade”.
Objetivo de garantir a produtividade de campos, árvores, homens e animais.
Rejeição da tese de Frazer sobre um suposto comunismo das mulheres que nunca existiu.
A transição do comunismo teórico para o casamento individual tornou a antiga obrigação ritual repugnante ao senso moral.
Mencão de Frazer sobre expedientes para evitar a prática, como o sacrifício de cabelos ou o uso de símbolos obscenos.
Necessidade de selecionar um grupo de mulheres submetidas à antiga obrigação para garantir o bem-estar geral.
Investidura de caráter sagrado nas prostitutas de templo, cujos ofícios eram vistos como exercícios de virtude incomum pelos leigos.
O sacrifício da cabeleira em Biblos durante as festas de Adônis constituía um gesto iniciático que substituía o ato da prostituição.
A teoria abstrata de Frazer revela-se incapaz de explicar por que a prostituição sagrada foi um privilégio reservado a moças de alta linhagem.
A essência do initiatismo exige a qualidade de iniciado do deflorador para que este acesse o mana transcendente constitutivo da matéria.
O sacerdotismo define os sacerdotes, muitas vezes chamados de deuses, como os defloradores por excelência da comunidade.
Sucessores distantes como feiticeiros, chamanes e homens-medicina mantêm privilégios de defloração pelo resquício de caráter sagrado.
O clero cristão assumiu em diversas regiões a direção dos ritos sexuais como uma herança dos antigos personagens sagrados pagãos.
Shakespeare registra em Henrique VI as injúrias de Glocester ao bispo de Winchester, futuro cardeal, sobre a jurisdição de lupanares.
“Toi qui donnes aux catins des indulgences pour pécher… Tenancier de bordels, ce n'est pas de l'éminence qu'il te faut, c'est la potence”.
Direito tradicional do bispo de Winchester sobre as estufas e casas de tolerância de Londres documentado desde 1162.
Continuidade da situação sob o rei Henrique VII sem que a origem pagã fosse discernida.
O vínculo de altos dignitários cristãos com lupanares decorre da instalação do novo sacerdócio sobre os locais sagrados do paganismo.
O sénismo atribui a função de deflorador aos anciãos como os grandes iniciados em grupos próximos ao primitivismo etnográfico.
O principismo concentra o mana sobrenatural em reis, príncipes e chefes após a decadência da liturgia iniciática coletiva.
O nasamonismo manifesta-se onde o mana permanece difuso, permitindo relações santificantes da noiva com diversos iniciados presentes.
Divisão em modalidade endogâmica no Peru com a participação de parentes e amigos da moça.
Modalidade exogâmica entre indígenas de Manta envolvendo parentes e amigos do esposo.
Dispensa de personagens externos em grupos onde o chefe divino, como o Inca, bastava para a divinização.
A exogamia surgiu da necessidade de buscar o dispensador do sacramento fora de comunidades desprovidas de personalidades transcendentes.
A fundamentação do recurso a múltiplas pessoas para administrar o sacramento sexual esclarece-se pelo estudo do arkismo.
O arkismo restringe as relações santificantes da noiva aos companheiros de idade e co-iniciados do marido.
A intervenção de todos os co-iniciados fundamenta-se no compartilhamento de uma mesma essência divina derivada de um objeto sagrado comum.
A mentalidade ontológica neolítica percebia o phallos como instrumento da Graça divina, alheia ao sensualismo moderno.
Interpretação de práticas sexuais como frutos de visões religiosas e filosóficas elevadas em vez de comunismo grosseiro.
Diferença entre o empirismo de excitação sensorial atual e a experiência ontológica antiga da sexualidade.
O cristianismo manteve o casamento como sacramento, mas excluiu a execução do ato carnal da liturgia pública.
O nasamonismo compartilha a mesma explicação do arkismo baseada na substância iniciática unitária de parentes e amigos.
A lei de concreção materializou gestos simbólicos originais em monstruosidades próprias das idades do bronze e do ferro.
O pérégrinisme envolve o recurso a estrangeiros como personagens sagrados para a administração do sacramento sexual fora da comunidade.
Relatos históricos de Sócrates e Sozomeno descrevem a oferta de virgens a visitantes em Heliópolis antes do matrimônio.
Práticas de entrega a estrangeiros em Biblos, Chipre e Babilônia reforçam a sacralização por agentes externos.
O ritual babilônico no templo de Mylitta exigia que a mulher seguisse o estrangeiro que lhe atirasse uma moeda de prata.
A invocação do nome divino promovia a identificação ontológica da mulher com a deusa e sua incorporação na essência imortal.
Interpretação da moeda como uma oferenda sacrifical feita à própria divindade.
Justificativa do dever religioso babilônico como único meio de s'incorporer à essência divina.
Reflexo de grandes concepções do matriarcato quatro milênios após o neolítico.
O cadeberisme designa a defloração por perfuradores profissionais que sucederam antigas associações sagradas.
O talisme refere-se à defloração de meninas impuberes motivada pelo deslocamento dos ritos iniciáticos para o nascimento.
O hospitalismo consiste na prostituição de parentes femininas a hóspedes como uma forma de pérégrinisme ou sacerdotismo.
O échangisme entre amigos restabelece o vínculo místico iniciático observado originalmente no arkismo.
A prostituição ritual de casadas renovava a provisão de mana durante festas periódicas que encerravam cerimônias iniciáticas.
Mulheres na Índia abandonam temporariamente esposos para prostituição em santuários, conforme relato de Buchanan.
Inscrição lídia do século II sobre Aurelia Æmilia glorificando-se de prostituição em templo por ordem de oráculo.
Mencão a Ramsay, Farnell e Ed. Westermarck sobre a continuidade de tradições ancestrais.
A estada do prêtre junto à rainha durante a ausência do rei serve como exemplo de santificação ocasional.
A tradição folclórica sobre a felicidade de maridos traídos possui origem religiosa na sacralização da esposa por outro homem.
O uso de chifres por maridos enganados vincula-se às antigas confrarias de homens-animais que portavam máscaras cornudas.
Os tributos anuais de virgens representam um afunilamento de prostituições gerais em favor de personagens divino-sacerdotais.
O tributo ateniense a Minos envolvia a permanência de jovens no Labirinto Cretense em forma de serpente.
Tributos pagos a animais como serpentes, lobos e dragões compartilham a mesma origem na santificação centaurica.