As noções mencionadas neste capítulo tiveram importância excepcional durante milênios, comandando a integração da humanidade no cosmos concebido essencialmente como um dinamismo.
Atualmente, esses ritos são vistos apenas como símbolos sem alcance, mas eles se conservaram em todas as religiões e seus traços são encontrados em todos os folclores.
Na Bretanha armoricana, a circumambulação é regra durante os perdões, fazendo-se o contorno de capelas, fontes, alturas e árvores, sempre pela direita.
O exemplo mais notório é a Grande Troménia de Locronan (Tro-Minihy = o giro do mosteiro), que se realiza a cada sétimo ano, consistindo em dar a volta em uma antiga montanha sagrada.
O percurso da Grande Troménia é de aproximadamente doze quilômetros e comporta doze estações, partindo do oeste para subir para o norte, depois descendo do norte para o leste, e do leste para o sul, onde a multidão sobe a montanha, descendo então do sul para o oeste.
Durante a descida, gira-se três vezes em torno da Jumenta Branca (ar Gazeg Wenn), um enorme bloco de pedra que representa a Lua (como na Irlanda, a Lair Bhan), localizado na encosta da altura, na orla do bosque de Nevet (nemeton, lugar sagrado).
A identificação do bloco de pedra com a Lua e com uma Jumenta divina é reveladora de um passado muito distante.
A montanha de Locronan, com as doze pedras sagradas que demarcavam seu perímetro, era um célebre omphalos do cosmos.