A força excepcional das ideias relativas à reencarnação no subcontinente asiático reside na sua conexão com o sistema de castas.
A transmigração parece ajudar a explicar o nascimento de um indivíduo em uma casta nobre ou entre párias, bem como suas condições de riqueza, saúde e respeito.
De acordo com as leis de Manu, os homens redimem com deformidades as faltas cometidas em uma existência anterior, como dispepsia para quem roubou alimentos, mau hálito para caluniadores e claudicação para ladrões de cavalos.
Criminosos renascem cegos, surdos-mudos ou idiotas; os cruéis reaparecem como carnívoros sedentos de sangue.
Os Preceitos de Vishnu afirmam que o ladrão de óleo se torna uma barata, o de vaca um iguana, o de legumes um pavão, o de grão um porco-espinho, o de cavalo um tigre, o de frutas um macaco e o de elefante uma tartaruga.
A mesma obra declara que malfeitores passam a corpos de animais, criminosos de alto grau entram em corpos de plantas, os que cometeram pecado mortal entram em corpos de vermes ou insetos, e pequenos delinquentes passam a corpos de animais aquáticos.
O budismo revela que o rei Bimsara, que assou e esfregou sal nos pés de seu pai, era instrumento do Karma, pois em uma existência anterior o santo velhinho andou perto de um santuário sem tirar as pantufas e pisou no tapete de um sacerdote sem lavar os pés.
Uma obra budista do primeiro século, o Lótus da Verdadeira Lei, proclama que aqueles que desprezarem a obra ou os monges renascerão como cães ou chacais miseráveis, sem pelos, com abundante verminose, cobertos de feridas, ou como camelos e asnos martirizados por seus mestres.
Se renascerem em forma humana, serão coxos, corcundas, estropiados, cegos, surdos, leprosos, indigentes, débeis, doentes, ladrões e criminosos.
Um dos mais terríveis castigos no budismo é transformar-se em prétas (fantasmas), reservado aos avarentos e cobiçosos, que apresentam trinta e seis características, como empoleirar-se em árvores, corpo achatado, boca pontuda, comer imundices, cabelos, sugar sangue, dar febre, vasculhar espíritos, matar corpos, roubar cadáveres, ser enraivecidos pela luxúria e estar repletos de cinzas.
Os asuras, intermediários entre homens e animais, embora sanguinários e briguentos, apresentam-se como um semi-paraíso durante as metamorfoses.