CONTO DE PSIQUE

NOIREAU, Christiane. La lampe de Psyché. Paris: Flammarion, 1991.

Elementos biográficos relativos a Apuleio

Nascido na colônia romana de Madaura em 114, final do reinado de Trajano, o romancista, filósofo e retor latino foi chamado de “príncipe dos oradores africanos”.

Obras sobreviventes e contexto religioso

As obras que chegaram até o presente são As Metamorfoses, As Floridas, O Deus de Sócrates, O Dogma de Platão, O Tratado do Mundo e A Apologia diante de Cláudio Máximo.

A história de Psique: um conto como outro qualquer

Era uma vez um rei e uma rainha que tinham três filhas, sendo a mais nova, Psique (Alma), a mais bela, a ponto de os mortais não se interessarem mais pelos altares de Vênus e dedicarem suas oferendas a Psique.

Estudo do conto

Após aplicar ao texto de Apuleio as funções definidas por Vladimir Propp em sua Morfologia do conto, Michèle Brossard concluiu que o conto de Psique é um conto popular, muito próximo de um mito, inserido nas Metamorfoses.

Cromatismo e melodia

As notações cromáticas encontradas no texto de Apuleio pertencem globalmente a duas categorias: o tenebroso e o cristalino, que explode no ouro do palácio, enquanto as qualidades melódicas podem ser classificadas na ordem do doloroso ou da melodia suave.

Cromatismo

O conto alterna as trevas e a luz delicada e rosada, começando com a visão de Cupido como uma “criança alada, mau garoto que, desafiando a moral pública com sua má conduta, armado de tochas e flechas, corre aqui e ali à noite nas casas dos outros”.

A melodia

A música duplica semanticamente a cor, e os termos empregados para uma convêm também à outra, seguindo o mesmo caminho do obscuro ao luminoso, do doloroso ao inefável.

O movimento e o espaço

No estudo de um conto das Mil e Uma Noites, André Miquel propõe um estudo do movimento dos heróis no interior do espaço do texto, no qual os lugares geográficos conhecidos se misturam aos espaços do maravilhoso, do lendário e do divino.

Movimento da reputação e das multidões

A reputação da beleza de Psique se espalha das cidades vizinhas às regiões circunvizinhas, ganhando terreno de ilha a ilha e de província em província, projetando a imagem no mundo com um movimento centrífugo partindo da “certa cidade” (in quadam civitate).

Movimentos das irmãs de Psique

As duas irmãs, após seguirem o cortejo fúnebre que conduziu Psique ao rochedo, participaram do movimento da multidão, mas uma nova rumores as leva a iniciar novas buscas enquanto a população retorna ao repouso.

As peregrinações de Psique

O esquema das peregrinações de Psique não entra nos limites nem nas rigidezes da simetria, pois ela nunca retorna ao rochedo onde foi exposta, embora a imagem deste reapareça em duas provas.

Sonos, contos e mentiras

O conto de Psique não é dado de imediato no texto das Metamorfoses; antes, é-se conduzido à caverna dos ladrões, onde se ouvem as lamentações de uma jovem mulher raptada em seu dia de núpcias.

Contos ou mentiras

Para fugir de uma situação incômoda, Psique improvisa dois “contos” para suas irmãs a fim de identificar o marido que não conhecia, tendo sido prometida pelo oráculo ao monstro.