PLATÃO

ROHDE, Erwin. Psyche: the cult of souls and belief in immortality among the Greeks. London: K. Paul, Trench, Trubner, 1925.

A crença na imortalidade humana, interpretada em sentido teológico ou filosófico, dificilmente havia penetrado nos círculos de pessoas comuns nessa época.

Platão nem sempre deu seu assentimento à crença na imortalidade, que deve ter permanecido muito em segundo plano em seus pensamentos nos dias em que ele ainda considerava o mundo do ponto de vista de um socraticismo ligeiramente mais desenvolvido.

A alma é uma essência espiritual pura, contendo nada material dentro de si, sendo incorpórea e pertencente ao reino do “invisível”, que nesta doutrina imaterialista conta como o mais real de todos.

Na proporção em que o filósofo estende e eleva sua concepção da alma, e se torna mais convencido de seu destino eterno, mais impossível lhe parece que esta candidata à imortalidade possa ser um amálgama composto de elementos capazes de serem resolvidos pela divisão.

É evidente que Platão, ao vestir a filosofia na linguagem da poesia sobre a origem, destino e caráter da alma, está seguindo a trilha dos teólogos de tempos anteriores.

Platão frequentemente fala da katharsis, a purificação, após a qual o homem deve se esforçar, tomando tanto a palavra quanto a ideia dos teólogos, mas dando-lhe um significado mais elevado.

A “purificação” por meio da qual a alma se livra da deturpação que a atingiu durante sua vida terrena revela novamente o divino no homem.

Há um tom “outro-mundano” nesta filosofia e sua doutrina da alma, cujo dever mais elevado é se libertar do corpo e das coisas corporais.

A vida terrena como ela realmente é permanecerá estranha ao filósofo, e ele um estranho na vida terrena, desprezado como tolo pela grande maioria, com interesses humanos dificilmente valendo a pena se preocupar.