POETAS

ROHDE, Erwin. Psyche: the cult of souls and belief in immortality among the Greeks. London: K. Paul, Trench, Trubner, 1925.

OS AUTORES LEIGOS

A teologia e a filosofia, cada uma à sua maneira, só puderam transcender gradualmente os limites das comunidades restritas onde sua influência foi sentida pela primeira vez.

Uma posição peculiar é ocupada por Píndaro, em cuja mente duas visões contrastadas da natureza, origem e destino da alma parecem estar combinadas com igual direito à autoridade.

Concepções sobre a origem, fortunas e destino final da alma, quanto mais divergem das opiniões comumente sustentadas, mais certamente devem ser consideradas como parte da persuasão privada e real do próprio poeta.

Embora o poeta possa ter tocado o coração de seu ouvinte e tentado sua imaginação a se desviar ao longo do caminho traçado por ele, não pode ter sido fácil permanentemente confundir o brilho mágico da poesia com a luz do sol da realidade.

A tragédia ática do quinto século, mesmo que o propósito consciente dos dramaturgos não tivesse tendido na mesma direção, desenvolver-se-ia em um produto artístico baseado no interesse psicológico.

Atrás do tecido vivo de sua criação artística, Ésquilo nos permite perceber os contornos firmes de suas próprias convicções éticas e religiosas.

Em direção aos grandes problemas da filosofia dramática, Sófocles assumiu uma posição que diferia essencialmente da de seu grande predecessor.

Aquele que assim abandonou toda tentativa de reconciliar o valor e as ações dos homens com seu destino na terra teria toda a necessidade de provar a existência de uma justiça divina que restaurasse o equilíbrio em um estado futuro de ser, mas o poeta mostra pouco sinal de tal necessidade.

Se Sófocles permaneceu completamente não afetado por todo aquele movimento intelectual que atingiu sua maré cheia em Atenas, Eurípides foi completamente arrastado para sua corrente.

Onde o conteúdo e o caráter da fábula escolhida como assunto de seu drama o exigem, o poeta adota francamente a visão popular da natureza e destino da alma partida.

Em contextos bastante inapropriados, Eurípides às vezes introduz alusões passageiras a uma visão filosófica do mundo e da humanidade, sendo o mais certo considerar como a convicção privada do próprio poeta.