Atena não governava sozinha — havia doze olímpicos e outros além —, e ela tinha conflitos particulares com Dionísio, Posêidon, Ares e a bela Afrodite.
O conflito com Posêidon está na origem da própria Atenas — os mitos narram que tanto um ramo de oliveira quanto uma fonte de água do mar brotaram milagrosamente do chão; o povo votou e decidiu, por apenas um voto, pela oliveira, tão necessária à civilização, ainda que a preferência fosse tênue sobre as marés selvagens e as profundezas sedutoras de Posêidon
Posêidon e Atena também disputavam o dom do cavalo — o animal “pertencia” a Posêidon, mas o freio controlador foi dado por Atena; toda a Odisseia de Homero pode ser lida como uma luta entre Posêidon e Atena pelo destino de Ulisses
A diferença com Ares, como a de Posêidon, gira em torno da distinção entre imediatidade eruptiva e reflexão distanciada — embora Atena também queira a vitória, ela conquista por meio do julgamento cuidadoso, não apenas com força e fúria
Dionísio — com sua multidão dançante de seguidores, o fluxo e refluxo inconstante de sua vitalidade, seu vinho e o culto do submundo em relação aos mistérios da alma e da morte, bem como o sentido trágico da vida — representava um mundo de visão verdadeiramente alheio ao de Atena; onde ela era vencedora, ele era frequentemente vítima; ele mole e seminú, ela blindada da cabeça aos pés; o bode, animal associado a ele, era proibido no recinto de Atena
Quanto às diferenças com Afrodite — a inimizade foi estabelecida pela infeliz escolha de Páris, não a escolha que fez pela deusa do amor, da beleza e do prazer sexual, mas a loucura de escolher entre os deuses; basta um olhar para as imagens dos dois poderes — uma com a horrível Górgo em sua couraça, paralisante; a outra, seminua em seu banho, sugestiva; uma com a temível coruja, a outra com pombas e rosas; uma chamada de virgem, a outra, de promiscuidade