A cidade também tem seus lugares solitários e cavernas escuras — ela excita a espontaneidade libidinosa; a caprinidade habita a cena urbana, se aferra às esquinas e, como Efialtes, visita pesadelos nos mais urbanos dos habitantes das cidades.
O selvagem não pode ser confinado à natureza agreste na oposição habitual entre natureza sublime e cidade degenerada — “selvagem” pode ser libertado da natureza agreste, e a própria vastidão pode ser des-literalizada para que Pã possa retornar à cidade.
Atenas, o modelo de todas as cidades, tinha seu culto de Pã — Luciano chamou Pã de summachos, ou aliado de Atenas, onde ele tinha seus santuários e rituais.
Segundo Borgeaud, Pã equilibrava o militarismo de Atena e Ares por seu favor à música e à dança, ao riso, aos ritos mistéricos e à aliança com “a sorridente” Afrodite.
A Arcádia aparece sob a guisa da cidade romântica, enevoada, lânguida, nostálgica, evocativa — Paris, Manhattan, Veneza, Dresden; a sírinx de Pã torna-se saxofone, Selene torna-se anseios lunares, a cidade um covil de ninfas e nimfolepsia.